Cerca de 60 barqueiros responsáveis pelo transporte de alunos da rede estadual de ensino em Tarauacá decidiram paralisar as atividades. A suspensão do serviço teve início na sexta-feira,31 e,a partir de segunda-feira,3,aproximadamente 700 estudantes das comunidades ribeirinhas ficarão sem condições de chegar às escolas.
A categoria afirma que a decisão foi tomada após sucessivos atrasos no pagamento dos salários e dos aluguéis das embarcações, além de descontos irregulares.A Secretaria de Estado de Educação,por meio de duas empresas terceirizadas, é responsável pelo pagamento dos salários dos barqueiros, do aluguel das embarcações e pelo fornecimento de combustível, conforme a distância percorrida em cada rota entre as comunidades e as escolas.
O barqueiro Aldemir Pereira Guimarães, que atua no Igarapé Joaci, no Rio Tarauacá, relata que ainda não recebeu nenhum pagamento referente ao aluguel de sua embarcação neste ano. Segundo ele, o valor mensal deveria ser de R$ 1 mil. Em relação ao salário, que é de R$ 1.800, afirma que os problemas se intensificaram em abril.“O aluguel do barco eu não recebi esse ano. Em abril eles pagaram R$ 1.800 é depois começaram os descontos. Maio e esse outro mês descontaram R$ 1.000 do meu salário. Dos outros companheiros teve desconto ainda maior”, conta.

Outro barqueiro, Francisco Souza Jesus, afirma que trabalhou durante um ano e quatro meses na empresa, mas acabou demitido após cobrar os pagamentos atrasados.“Eu fui um dos primeiros a entrar nessa causa e eles me tiraram porque fui atrás do meu direito. Tem barqueiro que ainda tem dinheiro para receber do ano passado. Outros estão há dois ou três meses sem salário. Tem trabalhador com nove meses de aluguel atrasado, outros com cinco meses”, afirma.
Ele também denuncia descontos considerados injustificados nos salários.“O aluguel ficou em R$ 1 mil por embarcação. Já os salários variam entre R$ 1.800 e R$ 1.900. Mas no mês passado teve gente que recebeu apenas R$ 430 ou R$ 440 porque fizeram descontos dizendo que o barqueiro não trabalhou, quando, na verdade, o combustível não foi liberado na data certa.”
Nota pública
Em nota divulgada à população, os trabalhadores afirmam que chegaram ao limite e não têm mais condições de manter o transporte escolar sem receber os valores devidos.Segundo o comunicado, a categoria enfrenta há meses atrasos constantes, promessas não cumpridas e dificuldades financeiras que comprometem tanto a manutenção das embarcações quanto o sustento das famílias.“Trabalhamos com responsabilidade, colocando em risco nossas próprias vidas para garantir que centenas de alunos cheguem às escolas, mas, infelizmente, não estamos recebendo o que é nosso por direito. Como sustentar nossas famílias dessa forma? Como manter nossas embarcações em condições seguras sem os recursos necessários?”, questionam os trabalhadores na nota.
Os barqueiros fazem um apelo ao Governo do Estado para que regularize os pagamentos e apresente uma solução que permita o retorno das atividades. Enquanto não houver uma resposta concreta, a paralisação será mantida.
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), por meio da Assessoria de Comunicação foi procurada, mas até a publicação desta matéria não enviou resposta sobre os atrasos nos pagamentos nem sobre quais medidas serão adotadas para garantir que os estudantes das comunidades ribeirinhas de Tarauacá tenham acesso às aulas a partir da próxima segunda-feira, 3.