O Acre está entre os estados brasileiros que deverão registrar crescimento na produção de café canephora (robusta/conilon) na safra de 2026. Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que estima aumento de 5,1% na produção acreana em relação à safra de 2025.
O estado integra um grupo de sete unidades da federação com previsão de crescimento da produção da variedade canephora. Além do Acre, também apresentam alta Bahia (18,1%), Rondônia (8,4%), Minas Gerais (22,7%), Mato Grosso (90%), São Paulo (0,6%) e Pará (5,2%). Na direção oposta, Espírito Santo (-2,6%), Amazonas (-43%) e Ceará (-35,3%) registram queda na comparação anual.
Em nível nacional, o IBGE estima que a produção de café, considerando as variedades arábica e canephora, alcance 4 milhões de toneladas, o equivalente a 66 milhões de sacas de 60 quilos. Se confirmada, será a maior produção da série histórica da pesquisa, iniciada em 2002.
Especificamente para o café canephora, variedade cultivada no Acre, a estimativa é de produção de 1,3 milhão de toneladas, ou 21,6 milhões de sacas de 60 quilos. Embora represente redução de 3,6% em relação à estimativa de maio, o volume ainda é 3% superior ao registrado em 2025 e configura um novo recorde da série histórica do IBGE para essa cultura.
Segundo o instituto, o bom desempenho da cultura nos últimos anos está relacionado aos investimentos realizados pelos produtores em manejo, adubação e outras práticas de produção, favorecidos pela boa rentabilidade observada em 2025. No entanto, o relatório ressalta que os custos de produção permanecem elevados, especialmente em razão do aumento dos preços dos insumos agrícolas.
O cenário de mercado continua favorável ao produtor. De acordo com o levantamento, a saca de 60 quilos do café robusta encerrou junho cotada a R$ 1.061,81, valor 11,47% superior ao registrado no mês anterior.
O crescimento da cafeicultura acreana ocorre em um contexto diferente do observado para a produção de grãos na Região Norte. O IBGE estima que a região apresente retração anual de 0,5% na produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, enquanto a produção brasileira desses produtos deverá atingir o recorde de 347,4 milhões de toneladas em 2026. O desempenho do café, porém, é calculado separadamente desse indicador.
Essa versão corrige a principal imprecisão da matéria anterior: o crescimento de 5,1% refere-se exclusivamente ao café canephora no Acre, e não à produção agrícola do estado como um todo. Também esclarece que a queda de 0,5% da Região Norte diz respeito apenas ao conjunto de cereais, leguminosas e oleaginosas, grupo do qual o café não faz parte.