Carne Bovina

Por que os preços do boi e da carne sobem e descem?

Entenda o ciclo da pecuária nas explicações do pesquisador da Embrapa Judson Valentim

Por Redação ·
Dados do Programa de Educação Tutorial da Faculdade de Economia da Ufac apontam queda no preço da carne. Expectativa era de alta. (Foto: ac24horas)

Muita gente se pergunta por que, em alguns períodos, a carne fica mais cara e, em outros, o preço diminui. A resposta está no chamado “ciclo da pecuária bovina”, um fenômeno natural da atividade.

Quando o preço do boi gordo está alto, os pecuaristas tendem a reter mais fêmeas para aumentar o rebanho. Como menos vacas vão para o abate, a oferta de carne diminui e os preços costumam subir.

Depois de alguns anos, esse rebanho maior começa a produzir mais bezerros. Com mais animais disponíveis, aumenta a quantidade de bois para abate. A oferta de carne cresce e os preços do boi gordo e da carne tendem a cair.

Quando os preços ficam muito baixos, muitos produtores voltam a enviar mais fêmeas para o frigorífico. Isso reduz novamente o número de matrizes, diminui a produção futura de bezerros e inicia um novo ciclo de alta nos preços.

Esse movimento leva vários anos para acontecer e faz parte da dinâmica da pecuária em todo o Brasil.

No Acre, esse ciclo também influencia o mercado, mas há uma característica que beneficia os consumidores. O estado possui uma pecuária forte, moderna e produtiva, capaz de produzir muito mais carne do que sua população consome.

Atualmente, cerca de 70% da produção de carne bovina do Acre é destinada aos mercados nacional e internacional, enquanto aproximadamente 30% permanecem no mercado local. Essa forte capacidade de produção garante um abastecimento regular da população e contribui para manter os preços mais competitivos. O crescimento da produtividade da pecuária acreana também fortalece sua competitividade e amplia a oferta de carne para diferentes mercados. (Embrapa)

Outro fator importante é que, por estar próximo das regiões produtoras e frigoríficos, o mercado consumidor acreano tem uma cadeia de abastecimento relativamente curta, reduzindo parte dos custos de transporte e distribuição.

Como resultado, o Acre costuma apresentar um dos menores preços da carne bovina ao consumidor entre os estados brasileiros.

Essa combinação de elevada produção, boa produtividade, abastecimento local e tradição no consumo faz com que os acreanos estejam entre os brasileiros que mais consomem carne bovina por habitante.

Na prática, isso significa que as famílias do Acre conseguem comprar carne bovina por preços mais acessíveis do que em grande parte do país, mantendo esse alimento como um dos principais componentes da alimentação regional.

Por isso, oscilações no preço do boi gordo são normais e refletem um ciclo produtivo de longo prazo. Entender esse processo ajuda consumidores e produtores a compreenderem por que os preços mudam ao longo dos anos e como uma pecuária eficiente beneficia tanto quem produz quanto quem compra carne.

(Judson Valentim é pesquisador do Centro de Pesquisa Agroflorestal do Acre, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)

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