O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou o Ato nº 34, de 29 de maio de 2026, autorizando o registro de dezenas de novos produtos fitossanitários para uso na agricultura brasileira. A medida amplia o leque de ferramentas disponíveis para o controle de plantas daninhas, pragas e doenças em diversas culturas, com destaque para soja, milho, algodão, café, cana-de-açúcar e pastagens.
Entre os registros concedidos estão herbicidas, fungicidas, inseticidas e também bioinsumos, que ganham cada vez mais espaço na agricultura nacional devido ao menor impacto ambiental e à possibilidade de utilização em sistemas de produção orgânica.
A soja aparece como a cultura mais contemplada pela nova rodada de registros, sendo indicada em grande parte dos produtos autorizados. O milho também figura entre as principais culturas beneficiadas, refletindo a importância econômica desses grãos para o agronegócio brasileiro.
Entre os herbicidas aprovados estão formulações à base de glifosato, dicamba, glufosinato de amônio, mesotriona, sulfentrazona, imazapique, imazapir, haloxifope-P-metílico, isoxaflutol e imazetapir. Esses ingredientes ativos são amplamente utilizados no manejo de plantas invasoras que reduzem a produtividade das lavouras.
No grupo dos inseticidas, foram registrados produtos contendo princípios ativos como acefato, etiprole, clorantraniliprole, ciclaniliprole, lambda-cialotrina e lufenurom, destinados ao combate de lagartas e outras pragas que afetam culturas como soja, milho, algodão, arroz e café.
Já entre os fungicidas, destacam-se produtos à base de trifloxistrobina, boscalida, ciprodinil, difenoconazol e isopirazam, utilizados no controle de doenças que comprometem o desenvolvimento das plantas e a qualidade da produção agrícola.
Bioinsumos ganham espaço
A publicação também contempla novos produtos biológicos, considerados estratégicos para o avanço da agricultura sustentável.
Entre eles está o Sargas Evo, desenvolvido a partir da bactéria Bacillus thuringiensis var. kurstaki HD-1, indicado para o controle de lagartas como a falsa-medideira (Chrysodeixis includens), lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis) e lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). O produto recebeu classificação ambiental de baixo impacto e teve seu uso aprovado para a agricultura orgânica.
Outro destaque é o Bionova Sanus Bove SC, formulado com o fungo Beauveria bassiana, utilizado no controle biológico de pragas em diferentes culturas agrícolas. O produto também foi enquadrado como apto para sistemas orgânicos de produção.
Impactos para o campo
A ampliação do número de registros faz parte da política de modernização do sistema de avaliação de defensivos agrícolas adotada pelo governo federal nos últimos anos. Segundo o Ministério da Agricultura, a entrada de novos produtos no mercado aumenta a concorrência, amplia as opções de manejo e pode contribuir para a redução dos custos de produção.
Especialistas destacam que a diversificação de moléculas e tecnologias é importante para reduzir o risco de resistência de pragas, plantas daninhas e doenças aos produtos já utilizados nas lavouras.
Para produtores rurais do Acre, especialmente aqueles que atuam nas cadeias da soja, milho, café e pecuária, a disponibilização de novas ferramentas de manejo representa uma oportunidade de aumentar a eficiência produtiva e enfrentar desafios fitossanitários cada vez mais frequentes em razão das mudanças climáticas e da pressão de pragas nas áreas agrícolas.
Os registros passam a valer após a publicação oficial e os produtos poderão ser comercializados conforme as normas de uso e recomendação técnica estabelecidas para cada cultura.
