Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo em parceria com a Embrapa Gado de Leite e com apoio da Cargill revelou que a produção de leite no Brasil apresenta uma pegada de carbono inferior à metade da média global. A pesquisa analisou dados reais de mais de 162 milhões de litros de leite produzidos em 28 fazendas distribuídas em sete estados brasileiros, contemplando diferentes sistemas produtivos e biomas.
De acordo com os resultados, a produção brasileira emite, em média, cerca de 1,19 quilo de dióxido de carbono equivalente (CO₂ eq) por quilo de leite corrigido para gordura e proteína, padrão utilizado internacionalmente para comparações. A média mundial gira em torno de 2,5 quilos de CO₂ eq por quilo de leite, o que coloca o Brasil em posição de destaque em termos de eficiência ambiental na atividade.
A metodologia utilizada foi a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), que considera as emissões desde a produção dos insumos utilizados na alimentação do rebanho até o momento em que o leite deixa a propriedade rural. O levantamento incluiu propriedades localizadas em biomas como Pampa, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, permitindo observar diferenças regionais e níveis variados de intensificação produtiva.
Os pesquisadores apontam que a maior eficiência está diretamente relacionada à produtividade por animal. Fazendas com maior produção diária por vaca apresentaram emissões significativamente menores por litro de leite. Em propriedades mais eficientes, a pegada chegou a cerca de 0,90 quilo de CO₂ eq por quilo de leite, enquanto sistemas menos produtivos registraram aproximadamente 1,58 quilo. A lógica é que animais mais produtivos diluem as emissões ao longo de um volume maior de leite.
Entre as principais fontes de emissão identificadas estão o metano entérico — proveniente da digestão dos bovinos — que responde por cerca de 47% das emissões totais, a produção de alimentos para o rebanho fora da fazenda, com aproximadamente 36,8%, e o manejo de dejetos e outros processos, que somam cerca de 8,1%.
Os dados indicam que o Brasil apresenta desempenho semelhante ao de países com sistemas leiteiros consolidados, como Alemanha e Estados Unidos, quando consideradas metodologias equivalentes. Apesar da eficiência relativa, o estudo ressalta que a pecuária continua sendo uma fonte relevante de gases de efeito estufa em termos absolutos, especialmente devido ao metano, que possui elevado potencial de aquecimento global no curto prazo.
