Leite do Brasil emite menos da metade do carbono mundial

Pesquisa aponta média de 1,19 kg de CO₂ equivalente por quilo de leite no Brasil, índice bem inferior ao registrado globalmente, e destaca eficiência produtiva como fator determinante para redução das emissões.

Luiz Eduardo Souza

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo em parceria com a Embrapa Gado de Leite e com apoio da Cargill revelou que a produção de leite no Brasil apresenta uma pegada de carbono inferior à metade da média global. A pesquisa analisou dados reais de mais de 162 milhões de litros de leite produzidos em 28 fazendas distribuídas em sete estados brasileiros, contemplando diferentes sistemas produtivos e biomas.

De acordo com os resultados, a produção brasileira emite, em média, cerca de 1,19 quilo de dióxido de carbono equivalente (CO₂ eq) por quilo de leite corrigido para gordura e proteína, padrão utilizado internacionalmente para comparações. A média mundial gira em torno de 2,5 quilos de CO₂ eq por quilo de leite, o que coloca o Brasil em posição de destaque em termos de eficiência ambiental na atividade.

A metodologia utilizada foi a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), que considera as emissões desde a produção dos insumos utilizados na alimentação do rebanho até o momento em que o leite deixa a propriedade rural. O levantamento incluiu propriedades localizadas em biomas como Pampa, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, permitindo observar diferenças regionais e níveis variados de intensificação produtiva.

Os pesquisadores apontam que a maior eficiência está diretamente relacionada à produtividade por animal. Fazendas com maior produção diária por vaca apresentaram emissões significativamente menores por litro de leite. Em propriedades mais eficientes, a pegada chegou a cerca de 0,90 quilo de CO₂ eq por quilo de leite, enquanto sistemas menos produtivos registraram aproximadamente 1,58 quilo. A lógica é que animais mais produtivos diluem as emissões ao longo de um volume maior de leite.

Entre as principais fontes de emissão identificadas estão o metano entérico — proveniente da digestão dos bovinos — que responde por cerca de 47% das emissões totais, a produção de alimentos para o rebanho fora da fazenda, com aproximadamente 36,8%, e o manejo de dejetos e outros processos, que somam cerca de 8,1%.

Os dados indicam que o Brasil apresenta desempenho semelhante ao de países com sistemas leiteiros consolidados, como Alemanha e Estados Unidos, quando consideradas metodologias equivalentes. Apesar da eficiência relativa, o estudo ressalta que a pecuária continua sendo uma fonte relevante de gases de efeito estufa em termos absolutos, especialmente devido ao metano, que possui elevado potencial de aquecimento global no curto prazo.

Compartilhar esta notícia
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *