Acre registra uma das maiores inadimplências do crédito rural

Dados do Boletim Agro da Serasa mostram pressão crescente sobre pequenos e médios produtores acreanos

Luiz Eduardo Souza

O Acre voltou a aparecer entre os estados com maior pressão financeira no crédito rural, segundo a nova edição do Boletim Agro da Serasa Experian. O estado registra uma das taxas mais altas de inadimplência do Norte, especialmente entre produtores sem registro rural formalizado — grupo que enfrenta maior dificuldade de acesso a linhas de financiamento com condições favoráveis.

Os dados mostram que a inadimplência geral no Acre teve avanço significativo no último ano, acompanhando a tendência nacional, mas em ritmo mais acelerado. O aumento ocorre em praticamente todos os portes de produtores, indicando um cenário de fragilidade financeira que já preocupa técnicos e entidades rurais. Para especialistas, a combinação de custos elevados de produção, oscilação dos preços agrícolas e impactos do clima tem contribuído para reduzir a capacidade de pagamento no campo acreano.

O comportamento do Acre também chama atenção pelo contraste com estados vizinhos que conseguiram manter índices mais estáveis. A situação mais crítica está entre agricultores não formalizados, grupo que costuma operar em maior vulnerabilidade e depende de arrendamentos ou financiamentos informais. Sem documentação rural regular, essas famílias encontram mais obstáculos para renegociar dívidas ou acessar programas de apoio.

O levantamento da Serasa Experian aponta que a inadimplência rural no país como um todo tem crescido de forma consistente, atingindo 8,1% dos produtores com dívidas vencidas acima de 180 dias. No Norte, porém, o ritmo é mais intenso e afeta diretamente a liquidez das propriedades. A redução do crédito disponível também agrava o quadro: apesar de o setor ter movimentado mais de R$ 80 bilhões em financiamentos no primeiro semestre, os bancos vêm adotando postura mais cautelosa diante do aumento do risco.

Para o Acre, o avanço da inadimplência revela uma demanda crescente por políticas públicas voltadas à assistência técnica, planejamento financeiro e acesso qualificado ao crédito rural. Sem ações coordenadas, especialistas alertam que pequenos e médios produtores — base da agricultura familiar e do abastecimento interno — podem enfrentar dificuldades ainda maiores nos próximos ciclos.

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