Pesquisadores da Iniciativa MAP (Madre de Dios, Peru/ Acre, Brasil e Pando/Bolívia) calcularam que há 60% de chances de formação do fenômeno “El Niño” (o aquecimento periódico e natural das águas do Pacífico com impacto no equilíbrio climático em escala global). A incerteza está na classificação do fenômeno: “forte” ou “muito forte” (Super El Niño).
Os dados de referência foram obtidos no dia 13 de abril no Centro de Previsão Climática da NOAA, a agência estatal norte-americana que monitora o clima em todo o mundo. O pesquisador do programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais da Ufac, Irving Foster Brown, organizou as informações e tem divulgado os alertas. “É preciso nós nos prepararmos para o pior cenário”, ponderou o pesquisador em recente entrevista no programa agro24cast.
Nos meses de outubro, novembro e dezembro, a probabilidade de um El Niño ocorrer é de 92%, porém a probabilidade de um El Niño com intensidade muito forte (Super El Niño) é cerca de 22%.
A existência desse fenômeno climático traz consequências graves e diretas para as pessoas e para as cadeias produtivas da região. As estiagens têm sido mais prolongadas e mais intensas. Com um agravante: o fenômeno El Niño provoca esse cenário de seca aqui no Norte e de chuvas intensas no Sul do país.
O pesquisador Foster Brown alerta também que mais preocupante do que o fenômeno El Niño é o aumento da emissão de gases de efeito de estufa. “Principalmente o CO², que serve como meio para ter mais energia termal na atmosfera, aumentando a capacidade da atmosfera para reter água, seja secando ambientes, seja no transporte de chuvas mais fortes”, afirmou. Em um relatório divulgado em inglês, português e espanhol, Brown lembrou que “durante os períodos de El Niños desde 1998, a concentração de gás carbônico na atmosfera cresceu de 366 ppmv (partes por milhão em volume) em 1998 para 426 ppmv em 2025, um aumento de 16% em 27 anos [10], amplificando o processo de aquecimento global”.
O relatório aponta 10 recomendações, como medidas de resiliência para o fenômeno El Niño. Seguem algumas dessas recomendações:
- Realizar gestão da paisagem para manter a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas naturais que amortecem os impactos das mudanças climáticas em escala regional, mantendo áreas protegidas e recuperando zonas críticas onde a vulnerabilidade é maior;
- Expandir as redes de monitoramento hidrometeorológico e de qualidade do ar na região do MAP para apoiar alertas e respostas a eventos extremos, utilizando tecnologias de baixo custo e promovendo sistemas de manutenção técnica;
- Preparar e implementar planos de enfrentamento às mudanças climáticas em terras indígenas, permitindo que estas populações possam, de fato, ter soluções integradas envolvendo as diversas esferas de gestão;
- Preparar e implementar planos de contingência para reduzir os impactos de ondas de calor em populações vulneráveis, como pessoas idosas e crianças, além das atividades agropecuárias, incluindo o monitoramento da mortalidade da fauna silvestre durante eventos de calor extremo e seca, em coordenação com as autoridades ambientais;
- Planejar o calendário de ações produtivas agropastoris de forma a não ser necessário a utilização do fogo para manejo de suas áreas neste ano de 2026.
