Fórum Empresarial e Sebrae apresentam estudo sobre Bioeconomia

Agregação de valor às matérias primas regionais é condição essencial para superar o modelo “primário-exportador”. No aspecto tático, são necessárias políticas públicas bem definidas com parcerias com setor privado

Itaan Arruda

O Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre e o Sebrae apresentam um boletim econômico sobre a Bioeconomia. Assinado pelos economistas Carlos Estevão Ferreira Castelo, Gabriel Brito e Rubicleis Gomes da Silva, todos da Universidade Federal do Acre, o documento integra o projeto “Cadeias Produtivas do Acre: uma análise via matriz de insumo-produto”.

A Matriz Insumo-Produto é um instrumento que a Economia usa para esboçar o perfil da produção de uma determinada localidade. É como se fosse uma grande fotografia em que o economista diz, por meio da tabela, “essa região produz isto”. O Acre, formalmente, ainda não tinha, há até pouco tempo, essa “fotografia”. O projeto do Fórum Empresarial e do Sebrae quer apresentar essa imagem.

E a Bioeconomia é um dos objetos retratados. “A bioeconomia representa uma oportunidade estratégica para a Amazônia e, em particular, para o Acre. Ao articular conservação ambiental, inclusão social e geração de renda, oferece alternativa concreta ao modelo primário-exportador em expansão na região”, afirmam os economistas no boletim.

“A análise deste boletim indica que a agregação de valor às matérias primas regionais é condição essencial para elevar a competitividade dos produtos amazônicos. Essa estratégia precisa ser combinada à obtenção de certificações e ao fortalecimento de arranjos produtivos locais, com atuação nos mercados nacional e internacional”.

No entanto, o trio alerta que a bioeconomia exige algumas tarefas: investimentos estruturantes; fortalecimento institucional e políticas públicas de longo prazo são destacados pelos economistas. Para eles, é preciso que essas ações estratégicas “superem a lógica do curto prazo e do isolamento setorial”.

A observação sobre a superação do modelo “primário-exportador” é ousada porque força repensar cadeias produtivas que estão consolidadas na região. “O caso do Acre, com suas contradições entre potencial bioeconômico e realidade exportadora de commodities, ilustra os desafios que a Amazônia precisará enfrentar para transformar a biodiversidade em desenvolvimento sustentável”.

O estudo completo está no site do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre (https://forumdoacre.org.br/). 

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