Mercado de Trabalho: agro segue como base de sustentação no país

Com desemprego em 6,1% e renda recorde, setor rural mantém resiliência, impulsiona ocupação no interior e ajuda a sustentar a economia mesmo diante de oscilações no trimestre

Redação
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O mercado de trabalho brasileiro começou 2026 com sinais de ajuste no trimestre, mas ainda sustentado por uma base sólida — e o agro segue como peça-chave nesse cenário. Dados da PNAD Contínua mostram que a taxa de desocupação ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março, alta de 1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, mas ainda 0,9 ponto abaixo do registrado no mesmo período de 2025, sendo a menor taxa para trimestres encerrados em março desde o início da série, em 2012.

Apesar da alta no trimestre, o dado reflete um movimento comum no início do ano, marcado pelo encerramento de atividades temporárias — especialmente no campo, onde o fim de ciclos de colheita impacta diretamente a ocupação. Ainda assim, no comparativo anual, o Brasil registra avanço: são 1,5 milhão de pessoas a mais ocupadas, resultado que passa, em grande parte, pelo desempenho do agronegócio e de suas cadeias produtivas.

A população ocupada foi estimada em 102 milhões de pessoas, com queda de 1% no trimestre, mas crescimento de 1,5% em relação ao ano anterior. Esse comportamento reforça o papel do agro como setor que absorve mão de obra, principalmente no interior do país, seja na produção direta, seja em atividades ligadas ao transporte, comércio e agroindústria.

Outro ponto de destaque é a informalidade, que atingiu 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores. Embora tenha recuado em relação aos períodos anteriores, o índice ainda é elevado — especialmente no meio rural, onde predominam trabalhadores por conta própria, pequenos produtores e atividades sazonais. O número de trabalhadores por conta própria, inclusive, chegou a 26 milhões, com crescimento de 2,4% no ano, perfil bastante presente no agro brasileiro.

No campo da renda, os dados trazem um sinal positivo importante. O rendimento médio mensal real alcançou R$ 3.722, o maior valor da série histórica, com alta de 1,6% no trimestre e 5,5% no ano. Já a massa de rendimento chegou a R$ 374,8 bilhões, também recorde, crescendo 7,1% na comparação anual. Esse aumento tem impacto direto na economia rural, estimulando o consumo, fortalecendo mercados locais e permitindo maior capacidade de investimento por parte dos produtores.

Por outro lado, a taxa de subutilização da força de trabalho subiu para 14,3% no trimestre, indicando aumento no número de pessoas que trabalham menos horas do que gostariam ou que estão disponíveis para trabalhar, mas sem conseguir ocupação adequada. No contexto do agro, esse dado pode estar ligado à redução de atividades temporárias após períodos de safra, um comportamento típico do setor.

Mesmo com oscilações pontuais, o cenário geral indica um mercado de trabalho ainda aquecido, com desemprego em patamar historicamente baixo e renda em alta. Nesse contexto, o agronegócio segue desempenhando um papel estratégico: além de sustentar empregos diretos, mantém ativa a economia em milhares de municípios brasileiros, funcionando como um dos principais pilares de estabilidade, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

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