A Embrapa/AC começou a trabalhar na criação de produtos à base de castanha do Brasil como uma maneira de diversificar a aplicação da cadeia produtiva da amêndoa. A inovação tinha como cálculo agregar valor ao produto. Foi o que contou a pesquisadora da Embrapa no Acre Joana Leite no agro24cast.
Desse trabalho surgiram a farinha para aplicação em mingau; a farinha para aplicação no bolo; a castanha saborizada. “Desenvolvemos vários produtos e mostramos que a castanha não serve apenas para bater no liquidificador para colocar em cima do cuscuz”, pontuou a pesquisadora. “Serviu para abrir os olhos do amazônida para as possibilidades que poderiam ser criadas com a castanha”.
A composição da amêndoa é a seguinte: 60% da castanha é formada por óleo; 40% de proteína de elevada qualidade, além do mineral selênio. “A proteína da castanha do Brasil tem todos os aminoácidos essenciais para nutrir uma pessoa, igual à carne, igual ao ovo”, compara Joana Leite.
O mingau de castanha tem como “elemento volumoso” outro fruto da região: a banana comprida (em algumas regiões chamada de “banana da terra”). A banana comprida também é pouco valorizada na região. A “pós-colheita” é muito desqualificada: não há agroindústria específica. Por isso, o estudo da farinha da castanha, que utiliza a banana comprida, foi tão importante.
Mas a inovação proposta pela Embrapa acabou esbarrando em outro problema: a falta de ousadia do empresariado local. “Infelizmente, os nossos empresários não têm aquela audácia, aquela vontade de produzir uma coisa nova”.
