Agropecuária

Embrapa lança plataforma para rastreamento da produção rural

A partir de 30 de dezembro de 2026, grandes e médios exportadores brasileiros precisarão comprovar a conformidade ambiental de seus produtos através da geolocalização das áreas de produção e da documentação da cadeia de fornecedores

Por Redação · · Atualizado em
Embrapa lança plataforma que permite rastrear produção rural
Foto: Fredox Carvalho/Pexels / Globo Rural

A Embrapa lançou a Embrapa Trace, uma plataforma inovadora destinada a rastrear a produção de soja, café e carne bovina. A ferramenta tem como objetivo reunir informações sobre a origem dos produtos e as condições de produção ao longo da cadeia produtiva, ajudando produtores e empresas a atenderem às exigências ambientais e sanitárias de mercados internacionais, como a lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR). As informações foram publicadas na revista Globo Rural.

A plataforma opera com dados fornecidos por produtores e agroindústrias, validando certificações existentes para oferecer um parecer único de conformidade. Disponível como uma API (Interface de Programação de Aplicações), a tecnologia permite monitorar diversas etapas da produção, desde o cadastro das propriedades e áreas produtivas até o transporte, armazenagem e processamento dos produtos.

Embrapa Trace também se integra a outras soluções da Embrapa, como o TerraClass, que fornece informações sobre a dinâmica do uso da terra na Amazônia e no Cerrado, e o ElegiAgro, que avalia a conformidade agroambiental das propriedades cruzando dados cadastrais e geoespaciais. Anderson Alves, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, afirma que a plataforma funciona como um “passaporte digital do produto”, consolidando informações de rastreabilidade e sustentabilidade em um só relatório. Os documentos gerados podem ser acessados por QR Code, servindo como fundamentação técnica para negociações comerciais e contestações nas exportações.

A Embrapa Trace será disponibilizada como parte da plataforma AgroBrasil Mais Sustentável (AB+S), do Ministério da Agricultura, que visa reunir dados sobre a adequação socioambiental das propriedades. Eduardo Chikusa, chefe da Divisão de Comércio Internacional do Ministério das Relações Exteriores, destaca que a rastreabilidade é essencial para atender às exigências dos compradores internacionais, funcionando como uma “ponte” entre a sustentabilidade no campo e a confiança exigida pelos mercados globais.

A Embrapa planeja expandir a plataforma para incluir outras cadeias produtivas, como cacau, madeira, borracha, frango de corte, suínos e pescados, como atum e tilápia de aquicultura. Um dos principais objetivos da ferramenta é auxiliar o setor agropecuário a cumprir a EUDR, que exige que produtos agropecuários comercializados na União Europeia não sejam oriundos de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020.

A partir de 30 de dezembro de 2026, grandes e médios exportadores brasileiros precisarão comprovar a conformidade ambiental de seus produtos através da geolocalização das áreas de produção e da documentação da cadeia de fornecedores. Para micro e pequenos produtores, o prazo de adequação à legislação se estende até 30 de junho de 2027. A Embrapa ressalta que a ferramenta também pode atender a outras exigências internacionais, como as relacionadas ao controle de antimicrobianos na produção animal, ampliando a capacidade de demonstrar o cumprimento dos requisitos exigidos pelos compradores.

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