Sustentabilidade

1ª Feira do Mel apresenta os melhores produtos do Acre e região

A sustentabilidade ambiental confere estrutura ao trabalho dos 25 produtores que apresentaram os produtos nos três dias de evento no Horto Florestal

Por Itaan Arruda · · Atualizado em
Primeira Feira do Mel conciliou venda de bons produtos e qualificação do produtor. (Foto: Roberta Gusmão)

Na 1ª Feira do Mel, a Organização Não Governamental Mãos que Ajudam, responsável pela organização do evento, entregou os certificados para os três vencedores em três categorias, divididas em produtores vinculados à meliponicultura e à apicultura.

Nilson Alves Brilhante recebeu o certificado de melhor mel de meliponíneos (abelhas sem ferrão), produzido em dois seringais, Porangaba e Filipinas, em Xapuri. O que ele levou para a 1ª Feira do Mel, realizada no Horto Florestal, é resultado do trabalho de 10 famílias. “Esse prêmio aqui é para eles”, disse o meliponicultor, segurando o certificado. Brilhante é coordenador do meliponário do Parque Zoobotânico da Ufac e trabalha com abelhas sem ferrão há mais de 40 anos.

Ao longo de todo esse tempo, uma constatação o experiente meliponicultor está convencido da importância. “Se alguém que quer criar abelha ou se propõe criar abelha, e não tem floresta, ele vai ter que criar uma. É possível criar, com potencial melífero, espécies que forneçam para as abelhas pólen e néctar. Mesmo quem trabalha em uma reserva extrativista, que tem muita floresta, é recomendável que se tenha uma agrofloresta, um plantio, um pomar, principalmente próximo às abelhas. Por quê? Porque a nossa diversidade florística é mais para pólen. Mas para a produção do néctar as espécies são poucas”, ensina.

Nilson Brilhante representou 10 famílias dos seringais Porongaba e Filipinas, de Xapuri. Meliponicultura como instrumento da sustentabilidade ambiental. (Foto: Roberta Gusmão)

O apicultor Magno Adriano Costa foi o vencedor entre os produtores que trabalham com Apis mellifera. É a abelha-africanizada, popularmente chamada de “abelha africana”. Magon Costa representa o apiário Favos da Amazônia. O trabalho desenvolvido ali tem uma característica: são meles de florada de seringueiras. “Há pelo menos quinhentas seringueiras no entorno de onde as abelhas estão”, diferencia.

Magno Costa (ao centro), do apiário Favos da Amazônia, produziu o melhor mel de abelhas com ferrão. Florada de seringueira. (Foto: Roberta Gusmão)

A organização do evento decidiu também premiar um produtor de fora de Rio Branco, uma maneira de estimular a participação de produtores de outras cidades e regiões. Foi assim que o meliponicultor Leonardo Silva, do meliponário Silva, de Apuí, no Amazonas, conquistou o segundo certificado do ano de melhor mel. É dele, por exemplo, o Mel de Borá (ou Jataizão), uma raridade consumida por frequentadores de mesas mais refinadas. Um vidrinho com 80mL chega a custar R$ 100. Tem um sabor tendendo ao salgado, com uma acidez bem marcante, e é muito apreciado em pratos mais sofisticados.

Leonardo (de boné),do Meliponário Silva, de Apuí, no Amazonas, produziu o melhor mel feito fora de Rio Branco. Uma forma de estimular participação de produtores de outras regiões. (Foto: Roberta Gusmão)

A 1ª Feira do Mel foi organizada pela ONG Mãos que Ajudam com apoio do Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) e da Prefeitura de Rio Branco. O Instituto Federal do Acre também participou da feira com a presença dos alunos de Zootecnia da unidade do Ifac da Transacreana (Campus Baixada do Sol).

Pesquisador do Inpa elogia produção acreana

O pesquisador do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Hélio Conceição Vilas Boas participou como convidado da 1ª Feira do Mel de Rio Branco. Ele entende que encontros como o realizado no Horto Florestal precisam acontecer com mais frequência. “É preciso investir mais nesse tipo de capacitação, de qualificação. Essa cultura de estar sendo avaliado e reavaliado e comparando o seu produto estimula o produtor”, afirmou.

Hélio Vilas Boas, do Inpa, ressaltou a importância de rotina de encontros como a 1ª Feira do Mel para estimular o produtor. (Foto: Roberta Gusmão)

Vilas Boas ministrou uma breve mostra de trabalho com as caixas de meliponicultura aos produtores que estavam na 1ª Feira do Mel. Mesmo diante de uma tarde ensolarada, os alunos assistiram, atentos, às orientações do pesquisador do Inpa.

Ele tirou dúvidas quanto à confecção das caixas, manejo, higiene e estratégias de manutenção para melhorar a eficácia do trabalho.

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