Agroclima

Estudo da Embrapa sugere adaptações no cultivo de hortaliças

O estudo da Embrapa integra um esforço institucional da empresa, que contempla mais de 160 medidas para o gerenciamento de riscos climáticos diante de fenômenos extremos

Por Redação ·
Pesquisadores indicam estratégias para adaptar hortaliças ao El Niño
Foto: Gislene Alencar/Embrapa / Globo Rural

Pesquisadores da Embrapa Hortaliças alertam para a necessidade de adaptações no manejo de hortaliças devido aos impactos do fenômeno El Niño, que traz temperaturas elevadas, chuvas intensas e períodos de seca. Em um estudo recente, os especialistas destacam a importância de ajustar o calendário de plantio, o manejo da água e a escolha de variedades que se adaptem às condições climáticas regionais. As informações são da revista Globo Rural.

A pesquisa revela que a maioria das hortaliças se desenvolve melhor em temperaturas entre 18°C e 25°C, com necessidade de água disponível de forma regular. Com o aumento da temperatura, a evaporação se intensifica, elevando a demanda por irrigação e potencializando problemas como escassez hídrica e salinidade do solo. Além disso, o excesso de chuvas pode prejudicar o desenvolvimento das raízes e aumentar a incidência de doenças fúngicas e bacterianas.

Os efeitos do El Niño variam conforme a cultura. Por exemplo, hortaliças como tomate, pimentão e batata são especialmente sensíveis ao calor, o que pode afetar o florescimento e a frutificação. Já alface, coentro, couve e brócolis são vulneráveis à exposição a altas temperaturas e à falta de água, enquanto cenoura, beterraba e batata-doce dependem de umidade estável para o desenvolvimento das raízes.

Para mitigar esses riscos, a Embrapa recomenda monitoramento climático, flexibilização das épocas de plantio, escolha de variedades adaptadas e manejo integrado da água e do solo. O estudo também sugere medidas de proteção contra extremos de temperatura e o acompanhamento de pragas e doenças.

As orientações variam conforme a região do Brasil. No Norte e Nordeste, a ênfase é em irrigação localizada e controle da salinidade do solo. No Sul, o foco está na redução de problemas causados pelo excesso de chuvas e doenças associadas à umidade. Já no Centro-Oeste e Sudeste, é recomendado o uso de sensores de umidade, telas anti-insetos e cultivo protegido.

Além disso, os pesquisadores defendem a ampliação de práticas conservacionistas, como o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) e o cultivo mínimo, que contribuem para a redução da temperatura do solo, favorecem a infiltração de água e diminuem a evaporação e a erosão.

Marcos Brandão Braga, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, ressalta que as recomendações devem ser vistas como parte de uma mudança mais ampla na produção agrícola. “As medidas não devem ser encaradas apenas como respostas a episódios isolados do El Niño, mas como o início de uma transição para sistemas de cultivo mais resilientes e adaptados às mudanças climáticas no Brasil”, afirma.

O estudo da Embrapa integra um esforço institucional da empresa, que contempla mais de 160 medidas para o gerenciamento de riscos climáticos diante de fenômenos extremos.

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