O projeto Cacau com Elas, desenvolvido por mulheres de Cruzeiro do Sul e voltado à conservação ambiental, valorização da floresta e geração de renda por meio do manejo do cacau, foi um dos destaques do seminário sobre a cadeia produtiva do cacau promovido pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), na manhã desta quinta-feira (6), durante a Expoacre 2026, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco.
Representando o grupo, a produtora Eliana Augusto de Souza, conhecida como Lika, contou que a iniciativa nasceu há oito anos de forma bastante simples e hoje se consolidou como uma referência na produção de chocolates artesanais no Vale do Juruá.
“Nós começamos com três mulheres, há oito anos, no fogão a lenha, debaixo de uma casinha de palha. Hoje o Cacau com Elas é uma marca muito grande. Somos sete mulheres, evoluímos muito. Começamos com três e hoje estamos com sete”, relatou.
Segundo Lika, o crescimento do projeto não se refletiu apenas no aumento do número de integrantes. A estrutura de produção também passou por uma transformação significativa. O grupo deixou para trás a produção totalmente artesanal e investiu na construção de uma pequena indústria de chocolates.
“Estamos acabando de construir uma pequena indústria, mas já estamos fazendo o chocolate nela e hoje estamos aqui expondo os nossos produtos na Expoacre”, afirmou.
Mesmo com o Acre ainda não figurando entre os maiores produtores de cacau do país, a produtora destaca que a matéria-prima nunca foi um problema para o empreendimento. Em tom descontraído, ela disse que o desafio atual é ampliar a capacidade de processamento.
“Nunca faltou cacau. Eu acho que vai faltar maquinário para fazer chocolate, porque o cacau que temos lá as máquinas não suportam”, brincou.
Todo o cacau utilizado pelo grupo é produzido pelas próprias integrantes do projeto. Lika explica, no entanto, que o cacau nativo da região, apesar da qualidade, não possui volume suficiente para atender toda a demanda da produção de chocolates, o que reforça a importância do cultivo manejado pelas produtoras. O projeto tem apoio do Governo do Acre e do Sebrae.