O endurecimento da política comercial dos Estados Unidos já produz reflexos diretos na economia acreana. No primeiro semestre de 2026, as exportações do Acre para o mercado norte-americano caíram 62,8% em relação ao mesmo período do ano passado, o maior recuo percentual registrado entre os estados brasileiros. Os números são de um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborado com base nas estatísticas oficiais do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Apesar de os Estados Unidos responderem atualmente por cerca de 2,4% das exportações do Acre, a redução das vendas preocupa o setor produtivo, principalmente diante da ampliação das barreiras comerciais impostas pelo governo do presidente Donald Trump.
De acordo com a CNI, o impacto das medidas protecionistas já alcança 20 das 27 unidades da Federação. Na Região Norte, o Acre foi o estado mais afetado, seguido por Tocantins, com queda de 52,1%; Rondônia, com retração de 49,1%; Amapá, de 41,2%; Pará, de 31,4%; e Amazonas, de 2,6%.
A perspectiva é de um cenário ainda mais desafiador nos próximos dias. Em 22 de julho entra em vigor uma nova sobretaxa de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos sobre aproximadamente 4 mil produtos brasileiros. A medida foi adotada com base na Seção 301 do Trade Act de 1974, legislação norte-americana que permite a imposição de sanções comerciais quando Washington considera que determinado país adota práticas prejudiciais aos interesses dos EUA. As informações foram divulgadas pela Casa Branca e pelo U.S. Trade Representative (USTR).
No Acre, a principal preocupação está na cadeia da madeira e de seus produtos beneficiados, como portas, molduras e estacas, que podem perder competitividade no mercado americano devido ao aumento do custo de importação.
Por outro lado, alguns produtos importantes para o agronegócio brasileiro ficaram de fora da nova rodada de tarifas. Segundo a lista de exceções divulgada pelo governo norte-americano, itens como café, carne bovina, açaí e mel não serão atingidos pela sobretaxa, preservando parte das exportações brasileiras desses segmentos.
Diante da redução da competitividade das empresas brasileiras, o governo federal estuda medidas para reduzir os impactos sobre os exportadores. Conforme informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), estão em análise ações como a ampliação das linhas de crédito para empresas exportadoras, fortalecimento do Plano Brasil Soberano para capital de giro e iniciativas voltadas à abertura de novos mercados compradores na América Latina, Ásia e Europa.
O chamado “tarifaço” faz parte da estratégia de proteção da indústria norte-americana adotada pelo governo Donald Trump desde o retorno à Casa Branca. Na prática, o aumento das tarifas encarece os produtos brasileiros no momento em que entram nos Estados Unidos, tornando-os menos competitivos em relação aos concorrentes de outros países. Com isso, importadores tendem a reduzir compras, renegociar contratos ou buscar novos fornecedores, provocando queda nas exportações, redução do faturamento das empresas e possíveis impactos sobre a geração de empregos.