Os preços recebidos pelos produtores rurais brasileiros recuaram no primeiro semestre de 2026. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) caiu 9,52% em relação ao mesmo período de 2025. A retração foi puxada principalmente pelas desvalorizações do café, da cana-de-açúcar, do arroz e de outras commodities agrícolas.
Segundo o Cepea, a queda do IPPA foi menor do que a observada no mercado internacional de alimentos. No mesmo período, o índice Food & Beverage do Fundo Monetário Internacional (FMI), convertido para reais, registrou recuo de 10,64%, indicando que os preços domésticos tiveram uma desvalorização menos intensa.
O maior impacto negativo veio do subgrupo IPPA-Cana-Café, que apresentou queda de 22,51%. O desempenho foi influenciado pela redução de 27,4% nos preços do café e de 19% na cana-de-açúcar.
No caso do café, o Cepea explica que a pressão sobre as cotações está relacionada às expectativas de maior oferta mundial na safra 2026/27, impulsionadas pelas perspectivas de uma boa produção brasileira. Além disso, o avanço da colheita de café arábica a partir de maio aumentou a disponibilidade do produto no mercado. Apesar disso, as chuvas registradas em junho levantaram dúvidas sobre a qualidade dos grãos e evitaram uma queda ainda maior dos preços.
O grupo dos grãos também fechou o semestre em baixa. O IPPA-Grãos/Cepea recuou 9,49%, refletindo a desvalorização de todos os produtos acompanhados pelo indicador. O arroz apresentou a maior queda, com 29,2%, seguido por trigo, milho, algodão e soja.
Para os pesquisadores, a situação do arroz é motivo de atenção. O movimento de baixa, iniciado em 2025, continuou ao longo deste ano e os preços atuais ainda não são suficientes para recuperar a rentabilidade dos produtores.
Entre os hortifrutícolas, o índice caiu 4,7%, influenciado principalmente pelas reduções nos preços da laranja e da uva. Em contrapartida, batata, tomate e banana registraram valorização, reduzindo parte das perdas do grupo.
Na pecuária, o IPPA-Pecuária/Cepea teve retração de 4,34%. O resultado foi consequência das quedas nos preços do frango, do suíno, do leite e dos ovos. A exceção foi a arroba do boi gordo, que acumulou alta de 8,92% na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026, sendo o único produto pecuário a registrar valorização no período.
