O Acre encerrou agosto com 17.857 hectares de áreas queimadas, segundo a atualização mais recente do Projeto Acre Queimadas, da Universidade Federal do Acre (Ufac). O avanço foi concentrado principalmente na segunda metade do mês: até 16 de agosto, o estado acumulava 7.658 hectares, o que significa que cerca de 57% da área mapeada até o fim do mês foi atingida pelo fogo nas duas semanas seguintes.
Apesar da aceleração registrada em agosto, a avaliação do projeto é de que 2026 ainda apresenta um cenário melhor que os anos anteriores, tanto em área queimada quanto no número de focos de calor registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
A intensificação do fogo, porém, coloca o estado em uma fase mais crítica da temporada. Com a estiagem avançando e as temperaturas permanecendo elevadas, as condições ambientais podem favorecer a propagação das queimadas ao longo das próximas semanas.
Feijó assume liderança
A distribuição das áreas atingidas também mudou ao longo do mês. Feijó passou a liderar o ranking dos municípios com maior extensão de áreas queimadas no Acre, seguido por Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Rio Branco, Sena Madureira e Rodrigues Alves.
Juntos, os seis municípios concentram aproximadamente 62% de toda a área queimada contabilizada no estado. Feijó aparece próximo de 2,5 mil hectares, enquanto Cruzeiro do Sul e Tarauacá ultrapassam 2 mil hectares cada.
As maiores concentrações estão distribuídas principalmente pelo oeste do Acre, incluindo áreas do Vale do Juruá e do eixo Tarauacá-Envira. O monitoramento também compara as cicatrizes de queimadas identificadas em 2026 com áreas de desmatamento apontadas pelo PRODES de 2025.
Mesmo com a expansão da área total, 48% das queimadas mapeadas correspondem a áreas de até cinco hectares. O levantamento indica, portanto, que quase metade das ocorrências está concentrada em pequenas extensões.
Outro cruzamento de dados mostra que aproximadamente 3,7% das áreas queimadas coincidiram espacialmente com alertas de desmatamento do DETER/INPE. A sobreposição, contudo, não permite estabelecer, isoladamente, uma relação de causa entre os dois fenômenos.
Estiagem mantém condições favoráveis ao fogo
As condições climáticas seguem entre os principais fatores de preocupação para o restante da temporada. Previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do IRI Climate Forecast e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal para o período.
Os prognósticos apontam para a permanência de condições mais quentes e secas sobre a Amazônia, com reflexos também sobre o Acre. A avaliação apresentada pelo projeto considera ainda a possibilidade de a estiagem se prolongar até outubro ou novembro.
A combinação de pouca chuva, temperaturas elevadas e vegetação mais seca aumenta o risco de propagação das queimadas, especialmente em áreas rurais e de produção agropecuária, onde o fogo pode avançar para áreas vizinhas.
Fumaça aumenta concentração de poluentes
A intensificação das queimadas também aparece no monitoramento da qualidade do ar. Dados da Rede de Qualidade do Ar do Acre mostram aumento das concentrações de material particulado fino, especialmente PM2,5, a partir do fim de julho e ao longo de agosto.
Em alguns períodos, os registros ultrapassaram a referência diária de 15 µg/m³ estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O material particulado é um dos principais componentes da fumaça das queimadas e pode se espalhar por grandes distâncias, afetando áreas urbanas e rurais.
O cenário indica que, mesmo com um acumulado anual inferior ao observado em anos anteriores, a aceleração das queimadas em agosto exige atenção para os próximos meses, quando a permanência da estiagem pode manter elevado o risco de novos incêndios e de piora na qualidade do ar.
