A colheita da safra brasileira de café 2026/27 atingiu 64% da área cultivada até o dia 15 de julho, de acordo com levantamento divulgado pela Safras & Mercado. O percentual representa um avanço de seis pontos percentuais em relação à semana anterior, mas o ritmo dos trabalhos continua abaixo do registrado no mesmo período do ano passado e também da média histórica dos últimos cinco anos.
Segundo a consultoria, o avanço da colheita foi prejudicado por chuvas isoladas em algumas regiões produtoras, que interromperam temporariamente as operações e limitaram o trabalho das máquinas no campo.
Na comparação com 2025, o atraso é significativo. No mesmo período do ano passado, 77% da safra já havia sido colhida. A média dos últimos cinco anos (2021 a 2025) para esta época é de 70%, o que reforça que a atual temporada segue em ritmo mais lento.
Entre as variedades, o café canéfora (conilon e robusta) continua liderando o avanço da colheita. Até o dia 15 de julho, 84% da produção já havia sido retirada das lavouras. Apesar da evolução observada na última semana, o índice também está abaixo dos 93% registrados no mesmo período de 2025 e da média histórica de 87%.
O maior atraso, porém, continua concentrado no café arábica. A colheita alcançou 54% da produção, percentual inferior aos 67% registrados no mesmo período do ano passado e abaixo da média dos últimos cinco anos, de 61%.
O desempenho do arábica tem maior peso sobre o ritmo nacional da colheita, já que essa variedade representa a maior parte da produção brasileira de café. Além das chuvas pontuais registradas em algumas regiões, fatores climáticos ao longo do ciclo da cultura também influenciaram o calendário de maturação dos frutos em diferentes áreas produtoras.
A expectativa do mercado é de que os trabalhos ganhem ritmo nas próximas semanas, desde que as condições climáticas permaneçam favoráveis. A evolução da colheita é acompanhada de perto por produtores, cooperativas e exportadores, já que influencia diretamente a oferta de café no mercado interno, o cumprimento dos contratos de exportação e a formação dos preços da commodity.
Dados da Safras & Mercado mostram que, apesar do avanço semanal consistente, a safra 2026/27 ainda precisará acelerar o ritmo para reduzir a diferença em relação ao desempenho registrado no ano passado e se aproximar da média histórica da cafeicultura brasileira.