A safra de café robusta de Rondônia poderá atingir um novo recorde em 2026. A projeção da Associação dos Cafeicultores de Rondônia (Caferon) é de uma produção de 3 milhões de sacas de 60 quilos, volume superior às 2,77 milhões de sacas estimadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Caso a previsão da entidade se confirme, o estado terá um crescimento de quase 30% em relação à safra de 2025, quando a produção foi consolidada em 2,32 milhões de sacas.
Segundo a Caferon, o desempenho é resultado das condições climáticas favoráveis registradas ao longo do ciclo produtivo e do amplo uso da irrigação nas lavouras. Para o presidente da entidade, Juan Travain, a safra 2026/27 apresenta perspectivas positivas de produtividade e qualidade.
“A safra 2026/27 está se desenhando para produzir grãos graúdos, com boa qualidade e rendimentos fortes”, afirmou.
A produtividade média das lavouras de café robusta em Rondônia está entre as mais elevadas do mundo, alcançando cerca de 64 sacas por hectare. De acordo com Travain, praticamente todas as áreas cultivadas utilizam sistemas de irrigação por gotejamento, tecnologia que reduz os impactos das altas temperaturas e da falta de chuvas, tornando a cultura menos vulnerável aos efeitos climáticos.
O cenário em Rondônia contrasta com importantes regiões produtoras de café arábica no Sudeste do país. Em Minas Gerais, por exemplo, produtores enfrentaram chuvas irregulares durante a colheita, além de episódios de precipitações consecutivas que elevaram o risco de doenças bacterianas e fúngicas nas lavouras.
Apesar do otimismo, a Caferon mantém atenção ao comportamento do clima nos próximos meses. Segundo a entidade, caso o fenômeno El Niño se intensifique, o principal risco para a cultura será o aumento das temperaturas entre agosto e outubro, período de florescimento do cafeeiro. O calor excessivo pode provocar aborto das flores e queimaduras nos ramos produtivos, comprometendo parte do potencial da próxima safra.