Simpósio de Pecuária de Corte expõe melhora qualitativa da gestão das propriedades acreanas

Itaan Arruda

Nenhum dos cerca de 120 participantes do 5° Simpósio Acreano de Pecuária de Corte faz parte do grupo de produtores com “até 100 cabeças de gado” na propriedade. Os que estavam na sede do Sebrae durante todo dia com os melhores palestrantes do país pertencem ao seleto grupo de pouco mais de 6% dos pecuaristas acreanos. É o percentual que, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, “possuem mais de 500 cabeças na propriedade”. E ali estavam representadas fazendas com plantel bem acima dessa referência.

As palestras trataram, basicamente, sobre administração da propriedade agrícola. O público acompanhava o raciocínio dos especialistas com rapidez e intimidade com os números, balbuciando respostas com exatidão e rigor matemático. “Quem está aqui já não tem problema em entender a propriedade agrícola como uma empresa. Todos fazem isso”, disse um produtor.

“Há quatro princípios que precisam ser referência para quem lida com pecuária: aumentar receita, diminuir despesa, responder aos riscos e garantir densidade de talentos”, pontuou Antônio Chaker, uma referência nacional na gestão rural, com assessoramento em mais de mil propriedades no Brasil e no exterior.

A aferição e manejo da margem de lucro de uma propriedade estão pulverizados em cerca de 400 indicadores. Isso oferece uma ideia da complexidade de se gerenciar uma propriedade agrícola focada em pecuária. Esse dado aponta também que não existe uma maneira uniforme de reação às adversidades econômicas. Cada propriedades apresenta uma postura diferente diante esses 400 indicadores. No entanto, algumas referências são basilares.

“Não é razoável a sua propriedade passar cinco, seis, sete anos e você sem ampliar nenhuma oferta nova de produto ou serviço”, incomoda-se Chaker. “É preciso ter capacidade de responder aos riscos com um diferencial: minha propriedade precisa ter densidade de talentos. A equipe precisa ser boa e estar motivada”.

Um dado que chamou atenção guarda relação com o monitoramento do Ganho Médio Diário (GMD), um dos mais citados indicadores pecuários. É ele que mede o ganho de massa que o plantel tem em um determinado período. Há diversas formas de acompanhamento e monitoramento desse indicador. Isso exige estrutura instalada na fazenda e disciplina. Apesar da importância deste indicador em conferir o desempenho do rebanho, apenas 30% das propriedades brasileiras realizam esse monitoramento da forma correta e adequada. O Acre acompanha essa tendência.

Antônio Chaker acredita que a nova geração de pecuaristas está mais consciente não apenas de mudar o referencial de gestão da propriedade, mas dos conceitos de sustentabilidade ambiental e do uso de novas tecnologias para aumentar a rentabilidade do empreendimento. “É uma geração que, na média, tem melhor formação. Muito melhor”.

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