A possibilidade de ocorrência de um super El Niño acende um alerta para a Amazônia e, em especial, para o Acre. Durante a palestra “Aquecimento Global e o Super El Niño: riscos para a Amazônia acreana”, a bióloga e doutora em Ciências da Engenharia Florestal pela USP, Vera Reis Brown, explicou que o fenômeno climático está associado à redução das chuvas na região amazônica e pode provocar impactos significativos na agricultura e nos ecossistemas florestais.
Segundo a pesquisadora, a diminuição das chuvas reduz a disponibilidade de água no solo e compromete o desenvolvimento das culturas agrícolas. “O El Niño normalmente traz seca para a região amazônica, e a seca obviamente atinge a agricultura porque o nível de água no lençol freático vai estar baixo e você vai ter déficit nesse processo. Então isso é muito grave para as culturas nesse período”, afirmou.
Além dos prejuízos para a produção rural, Vera Reis Brown alertou para o aumento do risco de queimadas e incêndios florestais durante períodos prolongados de estiagem. De acordo com ela, a vegetação fica mais vulnerável à propagação do fogo, ampliando os danos ambientais.
“Além disso, nós vamos ter queimadas e incêndios florestais. Parece que não, mas ainda hoje temos incêndios em florestas em pé, o que é um absurdo em pleno século XXI. As pessoas precisam se dar conta de que as florestas estão mais vulneráveis nesse período”, destacou a especialista.
A palestra reuniu gestores públicos, técnicos e representantes da sociedade civil para discutir os possíveis efeitos das mudanças climáticas sobre o Acre e a necessidade de planejamento para reduzir os impactos de eventos extremos na região.
