Ao menos, até o momento, a castanha do Brasil está passando ilesa pelo novo (e mais grave) tarifaço do governo norte-americano de sobretaxa de 25% aos produtos brasileiros. Por enquanto, máquinas e equipamentos industriais; produtos de plástico; calçados; produtos de madeira (por exemplo: esquadrias); papel cartão; ferro fundido; peixes e crustáceos estão no radar do presidente Trump.
“Seria desastroso: há negócios em andamento”, afirmou o diretor Comercial da Cooperacre, Kássio Almada. O diretor da Cooperacre, no entanto, não quis detalhar nem quanto e nem com quais empresas as negociações estavam sendo conduzidas.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior e organizados pelo professor Orlando Sabino, apenas nos dois primeiros meses de 2026, o Acre exportou cerca de US$ 6,5 milhões — mais da metade de 2025 e acima de todo o resultado de 2023. O início do ano projeta novo recorde. Essa exportação é referente à amêndoa com e sem casca.
De acordo com o gerente de agronegócio da ApexBrasil, Pedro Netto, “o que dá pra dizer é que neste momento, a medida não tem efeito ainda, e o governo brasileiro segue negociando o tema com os Estados Unidos”.
O que os técnicos em Comércio Exterior estão atentos é para os detalhes do que referencia a Seção 301 da Lei do Comércio norte-americana. Diferente do improviso do tarifaço do ano passado, a decisão amparada em uma investigação tendo este argumento jurídico criado há 52 anos torna o cenário grave e incerto.
“A legislação aduaneira dos EUA está cada vez mais complexa. Então, estamos estudando com atenção, até pra gente não se precipitar”, disse Netto. As negociações entre os técnicos do Brasil e dos Estados Unidos seguem até o dia 15 de junho.
