Cacau

“Chocolate na Floresta” exige consolidação da cadeia produtiva do cacau

O projeto “cacau sócio-ambiental” deve abranger 1,5 mil famílias de todo estado, com custo estimado em R$ 12 milhões

Por Itaan Arruda ·
Marcos Rocha, coordenador do Núcleo do Cacau da Seagri, explica as prioridades do programa Cacau Sócio-Ambiental. (Foto: Iago Nascimento)

O chefe do Núcleo do Cacau (Nucac) da Secretaria de Estado de Agricultura, Marcos Rocha, antecipou os detalhes para a produção do “chocolate da floresta”. A ideia é fazer com que algumas comunidades extrativistas (incluindo indígenas) possam produzir chocolate. A ideia é produzir a própria barra, em pequenas unidades industriais. Tecnicamente, o programa é chamado de “Cacau Sócio-Ambiental”.

A meta é integrar o trabalho de 1,5 mil famílias em todas as regiões do Acre formando o que o Nucac chama de “Rota do Cacau”. Trata-se de um trabalho integrado que engloba desde os municípios de Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul até Xapuri, no Vale do Alto Rio Acre.

Até conseguir chegar ao “Chocolate na Floresta”, a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) ainda tem um longo caminho a percorrer. Atualmente, o Acre tem apenas 200 hectares de cacau de cultivo. E isso já é resultado de uma evolução, já que, segundo dados oficiais da Seagri, em 2023, a área de cultivo de cacau no Acre era de apenas 25 hectares. Portanto, a área plantada no Acre precisa aumentar. Até 2027, a meta é chegar a 1,1 mil hectares.

Ainda não se tem a precisão exata de quantas comunidades trabalham com o cacau nativo. A estimativa hoje é que a área de cacau nativo abranja 200 hectares. É um número estimado já que o mapeamento não está concluído.

No que se refere ao cacau de cultivo (cacau plantado), o Governo do Acre precisou investir na infraestrutura da cadeia produtiva. Criou o Programa Estadual de Compras Governamentais da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Pecafes). Esse programa trata de observar a qualidade genética das mudas, com incentivo à criação de viveiros em pontos estratégicos da “Rota do Cacau”, de modo que os viveiristas possam atender às diversas comunidades cacaueiras com mudas clonadas ou semi-clonadas dentro de um padrão estabelecido pelo Ministério da Agricultura.

O programa “Cacau Sócio-Ambiental” tem custo estimado em R$ 12 milhões, dividido em três fases, compostas de alguns eixos prioritários: Capacitação e Inovação; Ampliação de Sistemas Produtivos; Consolidação da Rota do Cacau e Construção de uma Infraestrutura e Mercado.

O cacau é mais um produto que o Acre não pode priorizar a escala de produção. A meta é aumentar a atual base produtiva para um patamar mínimo. A prioridade é priorizar o diferencial que o produto acreano pode oferecer ao mercado. E a qualidade da amêndoa do Acre já começa a chamar atenção. “Já tem gente vindo de Rondônia para conhecer e comprar o nosso cacau”, disse Marcos Rocha.

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