Acre mantém tendência à criação à pasto, mesmo país projetando 5,7% de aumento no confinamento

Em 2026, o confinamento deve atingir amplitude recorde alcançando 9,7 milhões de cabeças de gado, de acordo com o Censo do Confinamento realizado pela empresa dsm-firmenich, referência global na formulação de dados que relacionam Ciência e consumo

Itaan Arruda

A divulgação dos dados do Censo do confinamento 2026, produzido pela empresa dsm-firmenich, agitou o noticiário especializado na cobertura sobre pecuária. A projeção é que o Brasil tenha o número recorde de bovinos confinados neste ano: 9,78 milhões. Isso representa um aumento de 5,7%, em relação ao censo do ano passado. Em 2025, o número foi de 9,25 milhões de bovinos em confinamento.

A ampliação dos sistemas intensivos tem sido uma tendência no país por dois fatores especificamente: existência de novas fronteiras agrícolas (com destaque para a região dos estados de Mato Grosso, Tocantins, Piauí e Bahia, chamada comercialmente de “Matopiba”) e uma taxa de Retorno sobre o Investimento (usa-se a sigla ROI, da expressão em inglês) avaliada hoje em 23,31%.

Os estados com maior número de animais em confinamento são Mato Grosso, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Bovinos confinados por estado
Estado Bovinos Confinados
Mato Grosso 2,4 milhões
São Paulo 1,4 milhão
Goiás 1,4 milhão
Mato Grosso do Sul 900 mil
Minas Gerais 800 mil

No Acre, a tendência no seleto grupo de pecuaristas que trabalham com a engorda é de manter a criação à pasto. Não há como fazer nenhum tipo de projeção para uma mudança estrutural na forma de finalizar o gado aqui no estado.

“Confinamento é custo. Com arroba valorizada e insumos baixos pode funcionar”, discrimina o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), Assuero Veronez. “Temos que lembrar que  a diferença comparativa da nossa pecuária é o boi de pasto. É mais barato de se produzir e compensa, de certa forma,  o nosso valor mais baixo da arroba”.

O presidente da Faeac lembra de outro fator que pressiona as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a priorizar os sistemas intensivos de criação de gado. “A tendência de intensificação é na região que seca mais no verão”, afirmou.

O confinamento deve entrar no radar dos produtores do Acre em função de algum tipo de adaptação. Um dos fatores mais latentes é o ambiental, conforme sugerido na declaração do presidente da Faeac. Outro fator de estímulo é a disponibilidade de insumos: o aumento da disponibilidade de milho e derivados estimula a intensificação.

Veronez também reforça a relação entre o confinamento aos bons preços da arroba e à estabilidade do consumo, inclusive à exportação. Fatores ligados ao mercado que ainda estão em processo de estabilização no Acre.

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