O Gabinete Civil do Governo do Acre divulgou nota informando que vai realizar a Expoacre 2026, mesmo após decisão do Tribunal de Contas que decidiu, em plenário e por unanimidade, a suspensão dos atos administrativos relacionados ao evento festivo. Mas afinal de contas, quais são as justificativas econômicas que amparam a insistência do Governo em manter a festa?
A julgar pela que ocorreu nas últimas 30 edições da feira, a Expoacre vai contar com concessionária de carros e motos; o esforço do próprio Governo em garantir a exposição de máquinas e implementos agrícolas; bancos públicos (que, calculadamente, deixam para concluir financiamentos durante a festa); “indústria moveleira” (na verdade, marcenarias locais, que estão desesperadas com mercado em crise sistêmica), lojas agropecuárias; setor de alimentação, muito órgão público, os polêmicos shows musicais, o rodeio (incluindo a cavalgada) e a exposição de animais (incluindo os leilões de elite). Há também alguma agenda com alguma instância do governo e de alguma empresa peruanos. Em síntese, a Expoacre é isto.
Tem sido assim. O Governo do Acre já anunciou que vai ampliar o “espaço para negócios”, com maior participação de agentes econômicos e diminuindo o espaço para instituições públicas. O que foi anunciado é que haverá mais de 600 lugares para exposição de empresas e negócios. A festa toda, com estrutura anunciada em R$ 2,5 milhões, terá custos divididos por meio da parceria com o Sebrae.
Uma comparação: a edição 2026 da Rondônia Rural Show teve investimento do Governo do Estado da ordem de R$ 26 milhões. A diferença é que a movimentação financeira foi anunciada formalmente em R$ 4,5 bilhões, em cinco dias de evento, sem atrações musicais. E isso representou queda em relação ao evento do ano passado.
