O volume de serviços no Brasil recuou 1,2% em março de 2026 na comparação com fevereiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (15) pelo IBGE. Mesmo com a queda mensal, o setor acumula alta de 2,3% no primeiro trimestre do ano e avanço de 2,8% nos últimos 12 meses.
De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), o resultado negativo de março foi puxado principalmente pelos segmentos de transportes (-1,7%), serviços profissionais e administrativos (-1,1%), informação e comunicação (-0,9%), serviços prestados às famílias (-1,5%) e outros serviços (-2,0%).
Apesar da retração no mês, áreas diretamente ligadas ao agronegócio continuam apresentando desempenho positivo no acumulado do ano, especialmente os serviços de transporte rodoviário de cargas, logística, tecnologia da informação e intermediação digital de negócios.
O transporte rodoviário de cargas, fundamental para o escoamento da produção agrícola e pecuária, registrou crescimento de 5,8% em março na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o avanço foi de 3,2%. O setor de transporte terrestre como um todo cresceu 5,1% frente a março do ano passado.
Outro segmento que segue em expansão é o de tecnologia da informação, que avançou 10% em março na comparação anual e acumula alta de 9,9% no trimestre. O crescimento acompanha a maior digitalização do campo, com avanço de plataformas de comercialização, monitoramento de lavouras, gestão rural e serviços de conectividade.
Segundo o IBGE, o setor de informação e comunicação teve o principal impacto positivo sobre o resultado anual dos serviços, com alta de 7,9% em março. Entre as atividades que impulsionaram o resultado estão consultoria em tecnologia da informação, hospedagem de dados, plataformas digitais e telecomunicações.
No recorte regional, São Paulo exerceu o maior impacto negativo na comparação mensal, com queda de 2,1%, enquanto Distrito Federal (10,3%) e Rio de Janeiro (1,8%) lideraram as altas.
O levantamento também mostrou retração nas atividades turísticas. O índice de turismo caiu 4% em março frente a fevereiro, pressionado principalmente pela redução nas receitas de hotéis, transporte aéreo de passageiros e locação de veículos.
Já o transporte de cargas apresentou queda de 1% em março frente ao mês anterior, mas segue em patamar elevado, ficando 37,1% acima do nível pré-pandemia. Na comparação com março de 2025, o segmento cresceu 2,5%.
Para o agronegócio, os dados reforçam a importância dos serviços ligados à logística, tecnologia e transporte na sustentação da atividade econômica, especialmente em um cenário de aumento da produção agrícola e maior demanda por eficiência no escoamento das safras.
