Cesta básica já consome quase metade do salário mínimo

Feijão, tomate e leite puxaram a alta em abril; trabalhador precisou dedicar mais de 90 horas de trabalho para comprar os alimentos básicos

Redação
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O custo da cesta básica em Rio Branco voltou a subir em abril de 2026 e alcançou R$ 667,14, segundo levantamento da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Dieese. O aumento foi de 4,05% em relação ao mês de março, colocando a capital acreana entre as cidades brasileiras com elevação significativa no preço dos alimentos essenciais.

Apesar da alta mensal, no acumulado dos últimos 12 meses a cesta básica em Rio Branco apresentou queda de 1,57%. Já no acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, o aumento chegou a 6,55%.

Entre os produtos que mais pressionaram os preços entre março e abril estão o feijão carioca, com alta de 11,36%, o tomate, que subiu 10,08%, e o leite integral, com aumento de 8,26%. Também tiveram reajustes a manteiga (4,52%), arroz agulhinha (3,82%), banana (2,54%), carne bovina de primeira (2,22%), pão francês (0,57%) e óleo de soja (0,24%).

Por outro lado, alguns itens apresentaram redução nos preços, como o café em pó, o açúcar cristal e a farinha de mandioca.

No acumulado de 12 meses, os maiores aumentos registrados foram no feijão carioca (17,63%) e na carne bovina de primeira (13,59%). Já produtos como arroz agulhinha, banana, farinha de mandioca, tomate e pão francês tiveram retração nos preços.

O levantamento também mostra o impacto direto da alta dos alimentos no orçamento das famílias. Em abril de 2026, um trabalhador de Rio Branco remunerado com o salário mínimo de R$ 1.621 precisou trabalhar 90 horas e 32 minutos para adquirir a cesta básica. Em março, eram necessárias 87 horas e 1 minuto.

Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto da Previdência Social, o trabalhador comprometeu 44,49% da renda apenas com a compra dos alimentos básicos. No mesmo período do ano passado, esse percentual era de 48,27%.

Entre as capitais brasileiras, Rio Branco registrou a 23ª cesta básica mais cara do país. São Paulo liderou o ranking, com custo médio de R$ 906,14, enquanto Aracaju teve a cesta mais barata, a R$ 619,32.

O Dieese também calcula mensalmente o valor do salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas. Em abril de 2026, esse valor foi estimado em R$ 7.612,49, o equivalente a 4,7 vezes o salário mínimo atual.

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