A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), a agência científica e regulatória do Governo dos Estados Unidos que monitora o clima em escala global, não afirmou categoricamente que o Brasil sofrerá os efeitos de um “Super El Niño”. Ao menos não na previsão que fez no último dia 13 de abril.
O que está consolidada são as probabilidades iguais de que o fenômeno climático ocorra no grau “moderado”, “forte” ou “muito forte”. O grau de intensificação, portanto, ainda é incerto. No entanto, o período de vigência do fenômeno já está estabelecido: de maio a julho. O que pode acontecer de diferente, em relação à intensidade, é que o fenômeno pode se estender durante todo o ano de 2026 e chegar a janeiro de 2027.
“É melhor nos prepararmos para o pior e esperar que não aconteça”, sugere o pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal da Universidade Federal do Acre Foster Brown. “Temperaturas médias anuais da região de Madre de Dios – Acre – Pando mostram que El Niños recentes aumentam a temperatura, mas existe uma tendência ainda maior de subida”.
O gráfico abaixo reforça o que diz o pesquisador e mostra uma clara tendência de alta nas temperaturas a partir do final dos anos 90 e início dos anos 2000.

Fonte: https://climatereanalyzer.org/research_tools/monthly_tseries/; https://ggweather.com/enso/oni.htm
O “El Niño” caracteriza-se por um aquecimento natural das águas do Oceano Pacífico. Esse aquecimento impacta o clima em escala global. Resumindo em linguagem esquemática, os efeitos, no Brasil, são os seguintes: o aquecimento no litoral da América do Sul (Peru, Equador, Colômbia) traz muita umidade. Por meio dos “rios voadores”, essa umidade é toda levada para a região Sul e Sudeste. Em uma sentença: muita seca e estiagem na região Norte do Brasil e muita chuva na região Sul e Sudeste.
O gráfico abaixo mostra as probabilidades da intensidade do fenômeno “El Niño” se efetivarem.

Fonte: https://cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso/roni/strengths.php
Defesa Civil de Rio Branco já prepara reação também nas comunidades rurais
A Defesa Civil de Rio Branco já se prepara para dar apoio ao menos para 37 comunidades rurais no entorno da Capital. Ao todo, 71 comunidades solicitaram ajuda já prevendo uma estiagem severa esse ano. “Nós tínhamos apenas 10 comunidades atendidas há cinco anos. Hoje, atendemos cerca de cinco mil famílias com ajuda humanitária e com o fornecimento de água o número é um pouco maior: são sete mil famílias”, contabilizou o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, Cel. Cláudio Falcão.
O coordenador já está realizando discussões com secretarias estratégicas para que a Prefeitura de Rio Branco reaja com a agilidade e a intensidade necessárias para enfrentar o período de estiagem. “O destaque é a Semeia. Vamos tentar ver o que a secretaria tem, qual o plano dela e tentar trabalhar juntos”, afirmou.
