Apicultura

Apicultor defende pacto estadual para reduzir impacto de agrotóxicos sobre as abelhas

Apicultor defende pacto estadual para reduzir impacto de agrotóxicos sobre as abelhasAnselmo Forneck propõe diálogo com setor produtivo e decisão política permanente para controle da aplicação de defensivos no Acre

Por Redação ·

Depois de denunciar prejuízos causados pela pulverização irregular de agrotóxicos, o apicultor Anselmo Forneck defendeu a construção de um acordo em escala estadual para reduzir os impactos sobre a apicultura e outras cadeias produtivas.

Durante entrevista ao AC24Cast, ele afirmou que o primeiro passo é abrir diálogo direto com lideranças do agronegócio acreano, incluindo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (FAEAC), Assuero Veronez, além de representantes dos produtores de grãos.

“Acho que precisamos falar com Assuero, com esse grupo ligado à agropecuária e aos produtores de grão do estado. O maior problema é que todo mundo espera a vegetação florar para passar veneno. Parece que é de propósito. É só passar um pouco antes ou quando a flor fecha”, afirmou.

Segundo ele, ajustes simples no momento da aplicação poderiam reduzir drasticamente os danos às abelhas.

“Quando está no auge da florada é praticamente sempre quando passam o veneno. Alguns produtos são permitidos pela fiscalização brasileira, mas existem formas corretas de aplicar, respeitar o horário, o vento. Se fizer isso, podemos resolver pelo menos 80% do problema”, defendeu.

Decisão de Estado, não de governo

Forneck também criticou a postura do poder público estadual e disse que o enfrentamento da questão precisa deixar de ser pontual e se transformar em política permanente.

“O governo do Acre não tem sido parceiro e nem tem estrutura. Isso precisa ser decisão política de Estado, não de governo. Precisa ser incorporado nas estruturas do Estado o controle dos defensivos agrícolas”, declarou.

Ele reconhece que há técnicos capacitados no Acre e que o avanço é possível, desde que haja articulação entre instituições e setores produtivos.

“Tem técnicos no estado com essa preocupação. Dá para avançar nisso”, avaliou.

Pequenos produtores desistem

O apicultor alertou ainda para o abandono da atividade por parte de pequenos produtores, que não conseguem se recuperar após perdas provocadas pela contaminação.

“Muitos apicultores desistiram. Para continuar você precisa gostar muito, ter paixão e ter uma estrutura mínima para recomeçar. O pequeno produtor não tem essa condição”, lamentou.

A proposta de Forneck aponta para a construção de um pacto estadual envolvendo produtores de grãos, pecuaristas, apicultores, órgãos ambientais e o governo, com foco em calendário de aplicação, cumprimento rigoroso das normas técnicas e fortalecimento da fiscalização.

O debate coloca em evidência a necessidade de conciliar produtividade agrícola com preservação dos polinizadores, considerados fundamentais para a sustentabilidade da produção no Acre.

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