A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 deve atingir 358,6 milhões de toneladas, consolidando um novo recorde para o agronegócio nacional. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) representa um aumento de 6,4 milhões de toneladas, ou 1,8%, em relação ao ciclo anterior, resultado do avanço da área cultivada e das condições climáticas favoráveis registradas durante o desenvolvimento das lavouras.
A soja lidera o crescimento da produção, com estimativa de aumento de 8,8 milhões de toneladas sobre a safra passada. Em seguida aparecem o milho da primeira safra, com acréscimo de 4,4 milhões de toneladas, e o sorgo, que deve produzir 1,5 milhão de toneladas a mais. Segundo a Conab, as culturas de primeira safra estão praticamente colhidas, enquanto o milho da segunda safra segue em fase de enchimento de grãos, maturação e início da colheita. Já as culturas de inverno e da terceira safra permanecem em fase de plantio, fazendo com que o resultado final ainda dependa das condições climáticas dos próximos meses.
O cenário também movimenta o setor logístico. Mesmo com comportamentos distintos entre os estados, o transporte de grãos continua intenso nas principais regiões produtoras. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, os fretes permanecem em patamares elevados devido ao forte fluxo de exportações e ao início da colheita do milho de segunda safra, enquanto produtores aceleram o escoamento da soja para liberar espaço nos armazéns. A expectativa da Conab é de que a demanda por transporte continue elevada nos próximos meses, sustentada pela entrada do milho no mercado e pela necessidade de abastecimento dos corredores de exportação.
Nos demais estados, o comportamento dos fretes varia conforme o estágio das colheitas e o volume de comercialização. Em regiões como Bahia, Goiás e Piauí, a redução do ritmo de embarques de soja provocou acomodação ou queda nos preços do transporte. Já no Paraná e em Mato Grosso do Sul, a forte demanda interna por milho, especialmente para as indústrias de proteína animal e de etanol, contribuiu para manter o mercado logístico aquecido em diversas rotas.
No mercado internacional, a produção brasileira segue favorecida pela demanda externa, principalmente pela soja. Ao mesmo tempo, fatores como o clima nos Estados Unidos, as negociações comerciais com a China e os custos do diesel continuam influenciando o comportamento dos preços e da logística. Para a Conab, a safra recorde reforça o protagonismo do Brasil como um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos, mas também evidencia a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura para garantir competitividade ao agronegócio brasileiro.
