Sobre a arte de ouvir e de fazer as coisas

Redação
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A mobilização de alguns representantes dos produtores rurais de Porto Acre, Rio Branco e Bujari poderia servir de referência. O encontro aconteceu na sexta-feira (12) no Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre).

Na sala do departamento de Planejamento, os homens e mulheres acostumados a lidar com bois, vacinas, preços de insumos agrícolas discutiam sobre o calendário de obras nos ramais. O grupo também exigiu providências em relação à ponte sobre o Riozinho do Andirá.

O Deracre não pode se iludir. A cortesia e a educação do grupo, em nenhum momento, aponta para algum tipo de submissão. A polidez guarda relação com o ato de alguém que foi em busca de uma resposta a uma pergunta feita. Quem chega nessas condições não pode se apresentar aos coices. O grupo perguntou e ouviu. Agora, é cumprir com o que foi combinado. Porque a energia em torno do bom comportamento pode se transformar bem rápido em cobranças contundentes e em um tom nada cortês.

Não apenas o Deracre, mas o Governo do Acre como um todo precisa atentar a isto. A governadora Mailza Assis Camelí tem dito nas entrevistas um raciocínio que diz mais ou menos assim: “eu quero que as pessoas reconheçam em mim e na minha equipe um grupo com capacidade de realizar coisas, de fazer coisas”. Isso precisa ser um fato. Não é. Sobretudo na área rural, essa ideia ainda está muito longe de ser realidade. Quando chega, o governo chega compartimentado, aos pedaços. Ou só chega a Educação; ou chega um pedaço da Saúde; ou chega a Produção com uma palestra, uma orientação e só. E assim o tempo e os governos vão passando.

Não precisa andar muito. O leitor, desconfiado que é, pode perguntar ao produtor de base familiar “Como estão as coisas?”. É ouvir e sentir. Em alguns agricultores e agricultoras, sobretudo em questões relacionadas à infraestrutura, o sentimento beira a raiva.

Os governos precisam aprender a ouvir o que o produtor diz. Por exemplo, o grupo que foi ao Deracre já disse: “a ponte velha, de madeira, sobre o Riozinho do Andirá, não aguenta mais um inverno”. Isso já foi dito. O Deracre precisa ouvir. E o que isso significa na prática? Significa que, uma vez sabendo que a ponte não será possível ser concluída este ano por vários motivos, inclusive relacionados à legislação eleitoral, o Deracre já tem que pensar uma alternativa de trânsito no local para o próximo inverno, mesmo com o forte verão que se anuncia nem ter iniciado ainda. Esse pensamento estratégico precisa ser rotina na administração pública. E não é.

O produtor tem oferecido a todos órgãos públicos a possibilidade de ouvir. Quem tiver juízo e o mínimo interesse que escute. 

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