Chegou a hora que se esperava, mas não se queria: o aumento do preço das carnes na beira dos balcões. Seja nos açougues ou nos supermercados. O cenário de conflito no Oriente não ajuda, gera instabilidade, impacta preço de insumos importantes. E como tudo está integrado, com projeções de desaquecimento da economia em escala global em função da guerra, o impacto na cadeia produtiva da carne era questão de tempo.
A cotação da arroba acumula alta de 26,5%, contabiliza o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), uma referência nacional em dados sobre agropecuária. Essa variação elevou a arroba para US$ 73,58. Superou o recorde de US$ 73,53, que havia sido registrado em 2022, ainda como efeito negativo do período pós-pandemia.
Aqui no Acre, o Programa de Educação Tutorial (PET) da Faculdade de Economia da Ufac também registrou aumentos dos preços da carne bovina tanto em açougues quanto nos supermercados. Os dados são recentes e foram coletados entre os dias 8 e 15 de abril. Como já é um clássico no monitoramento feitos pelo programa, os aumentos foram mais expressivos nos supermercados do que nos açougues de rua.
Nos supermercados, cortes como picanha (alta de 4,98%) e filé (alta de 3,09%) o exemplo de como a carne vai ficando para mesas mais abastadas por aqui. Nos açougues, a alta é mais modesta. Picanha aumentou 0,16% e o filé 2,37%.
A alta das exportações pressionam o preço internamente. Os casos de aftosa na China devem impactar mais ainda. E, aos poucos, o consumidor brasileiro que ele é apenas um detalhe na grande teia de interesses envolvendo a cadeia produtiva da carne.
No Acre, o consumidor já se convenceu de que a carne produzida no quintal quase sempre está sujeita a fatores muito alheios à rotina dele. São elementos que fazem com que um dos melhores produtos feitos aqui não esteja à altura do bolso do acreano de renda mais modesta. É uma espécie de televisão de cachorro, com o povo olhando junto sem ter nem o rabo para abanar.
