Norte gera empregos, mas agro ainda avança pouco; Tocantins puxa leve alta

Região registra saldo positivo em fevereiro, mas desempenho da agropecuária é tímido e expõe desafios estruturais

Redação
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São gerados 4,4 mil empregos diretos, nas indústrias alimentícias acreanas. (Foto: Sérgio Vale)

A região Norte fechou fevereiro de 2026 com saldo positivo na geração de empregos formais, mas o desempenho da agropecuária ainda ficou abaixo do esperado. Enquanto o Brasil registrou a criação de 255,3 mil vagas com carteira assinada, o Norte contribuiu com 10.634 postos, sendo apenas 239 no setor agropecuário, segundo dados do Novo Caged.

Apesar do resultado positivo no geral, os números mostram que o crescimento do emprego na região não tem sido puxado pelo campo, diferentemente do que ocorre em outras partes do país, como o Sul e o Centro-Oeste, onde a agropecuária teve papel mais relevante na geração de vagas.

No recorte regional, o Tocantins aparece como um dos poucos destaques positivos dentro do agro nortista, com saldo de 130 vagas formais em fevereiro. Embora o número ainda seja modesto, ele indica alguma movimentação no setor, possivelmente ligada ao avanço de cadeias produtivas como a soja, a pecuária e outras culturas mais tecnificadas presentes no estado.

Especialistas apontam que o desempenho mais tímido da agropecuária no Norte está ligado a fatores estruturais históricos, como limitações logísticas, dificuldade de acesso ao crédito, baixa mecanização e menor presença de cadeias produtivas consolidadas quando comparadas a outras regiões do país.

Além disso, a forte presença da agricultura familiar, muitas vezes com baixa formalização das relações de trabalho, também contribui para que os números do emprego formal no campo sejam menos expressivos.

Enquanto isso, regiões como o Sul registraram mais de 10 mil vagas no agro apenas em fevereiro, evidenciando um cenário de desigualdade regional na geração de empregos no setor.

O resultado reforça a necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção rural no Norte, com foco em assistência técnica, infraestrutura e incentivo à formalização, como forma de ampliar a participação da região no mercado de trabalho agropecuário.

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