A paralisação da obra da Escola Estadual Rural João de Deus Rodrigues, na zona rural de Bujari, escancara um cenário de abandono que afeta diretamente alunos, professores e moradores da comunidade.
A unidade, que deveria resolver antigos problemas de infraestrutura, está sem sede própria há cerca de três anos. Desde então, as aulas ocorrem em um prédio cedido pela prefeitura, compartilhado com outra escola e funcionando em três turnos.
A situação se agravou após a demolição do antigo prédio, em 2023, para a construção de uma nova estrutura que nunca foi concluída. A obra chegou a ter a base executada, mas foi interrompida após o afastamento da empresa responsável durante as investigações da Operação Ptolomeu.
No ano seguinte, houve uma tentativa de retomada. Parte da estrutura chegou a ser levantada, mas os serviços voltaram a ser paralisados ainda em 2024. Desde então, não há informações oficiais claras sobre prazos ou continuidade da obra.
Enquanto o impasse se arrasta, recursos públicos já investidos correm risco de serem desperdiçados. Entre os itens adquiridos e sem uso estão cerca de R$ 100 mil em aparelhos de ar-condicionado, outros R$ 100 mil em materiais permanentes — como computadores, projetores e mobiliário — e mais de R$ 21 mil destinados ao atendimento educacional especializado.
Sem o prédio, os equipamentos permanecem armazenados, sujeitos a danos antes mesmo de serem utilizados.
A precariedade também impacta diretamente os estudantes. Muitos enfrentam longas distâncias para chegar à escola, especialmente durante o período chuvoso, quando o acesso se torna ainda mais difícil. A situação contribui para faltas frequentes e risco de evasão escolar.
Além disso, a unidade já perdeu alunos e parte dos recursos após a municipalização de etapas de ensino, reflexo da falta de estrutura adequada.
Diante do cenário, a comunidade escolar cobra uma resposta urgente do poder público. Moradores e educadores relatam falta de informações e ausência de medidas concretas para a retomada da obra.
Para quem vive a realidade da escola, o problema vai além de um prédio inacabado. Trata-se de um entrave ao acesso à educação e de um possível desperdício de dinheiro público em uma das regiões mais carentes do estado.
