Conab lança plataforma para garantir rastreabilidade do café em parceria com a UFMG

Ferramenta gratuita certificará produção brasileira livre de desmatamento e atenderá exigências da União Europeia

Redação
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Maior produtor e exportador de café do mundo, o Brasil dá mais um passo na consolidação de sua liderança global ao investir em rastreabilidade e sustentabilidade. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou oficialmente, nesta terça-feira (24), a Plataforma Parque Cafeeiro, ferramenta pública e gratuita criada para certificar que o café brasileiro é proveniente de áreas livres de desmatamento.

Desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a plataforma integra bases de dados governamentais, informações ambientais e monitoramento por satélite, permitindo rastrear a origem da produção cafeeira. A iniciativa atende especialmente às exigências da União Europeia, que estabeleceu novas regras para importação de produtos associados ao desmatamento.

O sistema possibilita a emissão da declaração de conformidade ao Regulamento (UE) 2023/1115, conhecido como EUDR. A norma determina que produtos como o café só podem ingressar no mercado europeu se comprovarem que não têm origem em áreas desmatadas após dezembro de 2020. Além disso, a plataforma verifica informações ambientais e territoriais, assegurando alinhamento às legislações nacionais e internacionais.

O presidente da Conab, Edegar Pretto, destacou que a regulamentação europeia representa um desafio, mas também uma oportunidade para o Brasil reafirmar sua credibilidade. Segundo ele, o país responde com transparência e capacidade técnica, reunindo dados públicos confiáveis em parceria com a UFMG. Pretto ressaltou ainda que o café brasileiro, reconhecido mundialmente pela qualidade, passa agora a ser também referência em rastreabilidade.

De acordo com a Conab, o Brasil deverá colher em 2026 a maior safra de café de sua história, estimada em 66 milhões de sacas. A nova plataforma permitirá certificar que essa produção ocorre de forma responsável, sem desmatamento e sem sobreposição a terras indígenas, territórios quilombolas ou unidades de conservação.

O diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, avaliou que a ferramenta fortalece a soberania nacional em um cenário geopolítico complexo. Ele lembrou que a União Europeia responde por cerca de 44% das exportações brasileiras de café — aproximadamente US$ 7 bilhões anuais, distribuídos em cerca de 70 mil contêineres.

Segundo Matos, cerca de 60 associados do Cecafé já demonstraram interesse na utilização da plataforma. Esses membros representam 99% das exportações brasileiras para a União Europeia, envolvendo 14 cooperativas e 46 empresas nacionais e globais, que adquirem café de aproximadamente 330 mil produtores. Para ele, a iniciativa reforça não apenas a sustentabilidade ambiental, mas também os pilares social e econômico da cadeia produtiva.

Com a Plataforma Parque Cafeeiro, o governo brasileiro busca garantir segurança jurídica aos exportadores, ampliar a confiança dos mercados compradores e consolidar a imagem do país como fornecedor de café sustentável, rastreável e alinhado às exigências internacionais.

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