A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, assinou nesta segunda-feira (23) um memorando de entendimento com a Rural Development Administration (RDA), agência de pesquisa da Coreia do Sul, para fortalecer a cooperação científica e tecnológica nas áreas de agricultura, recursos naturais e desenvolvimento sustentável. O acordo amplia o intercâmbio em temas estratégicos como mudanças climáticas, bioeconomia, biotecnologia, agricultura digital e de precisão, inteligência artificial, sistemas de produção animal e vegetal, segurança alimentar, nutrição, saúde e desenvolvimento rural, além da formação e intercâmbio de recursos humanos.
O documento também define diretrizes sobre propriedade intelectual, uso e proteção de dados, disseminação de resultados científicos e intercâmbio de material genético, garantindo conformidade com as legislações nacionais e estabelecendo mecanismos de governança da cooperação. A iniciativa integra a agenda da comitiva presidencial brasileira à Índia e à Coreia do Sul, entre os dias 19 e 24 de fevereiro, voltada ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas.
Entre as áreas prioritárias do memorando está a fungicultura, com foco no desenvolvimento de novas linhagens de cogumelos, automação e aproveitamento de resíduos. No Brasil, o plano de trabalho será conduzido pelo Laboratório de Cultivo de Cogumelos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF), prevendo o intercâmbio de materiais genéticos e o desenvolvimento de cultivares adaptadas às condições climáticas do país, visando maior eficiência produtiva.
O acordo inclui ainda o compartilhamento de conhecimento sobre máquinas e sistemas automatizados para produção de substratos em escala industrial, manejo do cultivo e pesquisa para prospecção e domesticação de espécies nativas com potencial econômico, medicinal, nutricional e biotecnológico. Também está previsto o aproveitamento do substrato pós-colheita para insumos biológicos, como fertilizantes e biocontroles, aplicáveis à agricultura, pecuária e aquicultura, além de programas de treinamento e intercâmbio de pesquisadores.
O memorando reforça o potencial de desenvolvimento da cadeia produtiva de cogumelos no Brasil, considerada ainda pequena, mas com crescimento anual e capacidade de gerar alimentos funcionais e sustentáveis, além de matéria-prima para bioinsumos e moléculas para a indústria farmacêutica.
