Brasil Afora

No Sudeste, o Boi gordo atinge R$ 390 por arroba com oferta limitada

A alta nos preços é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a oferta restrita de animais para abate, a valorização do dólar e uma demanda aquecida, o que pode ter um impacto inflacionário no Brasil

Por Redação ·
Boi gordo bate recordes de alta com oferta limitada e dólar forte
Foto: Marcus Mesquita/Divulgação / Globo Rural

O preço do boi gordo alcançou um novo recorde, chegando a R$ 390 por arroba, conforme o indicador do Cepea, ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), nesta sexta-feira, 3 de novembro. Este valor supera o anterior recorde de R$ 385,26, que esteve em vigor por quase seis anos, desde 11 de novembro de 2020. As informações são da revista Globo Rural.

A alta nos preços é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a oferta restrita de animais para abate, a valorização do dólar e uma demanda aquecida, o que pode ter um impacto inflacionário no Brasil. A diminuição da disponibilidade de gado é resultado do ciclo de baixa da pecuária, com pecuaristas optando por manter fêmeas para reprodução em vez de enviá-las para abate, o que reduz a oferta de bezerros.

De acordo com um boletim da Agrifatto, os abates realizados em frigoríficos registrados no Ministério da Agricultura entre janeiro e setembro totalizaram 21 milhões de cabeças, o que representa uma queda de 7,5% em relação ao mesmo período de 2022.

A recente alta do dólar, impulsionada pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições, também está influenciando os preços. Lygia Pimentel, CEO da Agrifatto, explicou que a indústria, ao exportar, recebe mais em reais, tornando a carne brasileira mais atraente para importadores.

Os frigoríficos, após atingirem a cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina estabelecida pela China sem tarifas adicionais, começaram a adquirir bovinos para atender à demanda chinesa, com exportações previstas para a segunda quinzena de novembro.

No mercado interno, os preços dos cortes de carne bovina já estão em alta, afetando o consumidor. Na última semana, os preços aumentaram entre 0,3% em Goiás e 1,2% no Rio de Janeiro, conforme levantamento da Scot Consultoria. O preço médio do acém em São Paulo em outubro foi 20,7% superior ao do ano anterior, enquanto o da picanha apresentou queda de até 7,9%. Apesar disso, analistas apontam que os consumidores têm dificuldade em absorver esses aumentos.

Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercados, destacou que, embora o atacado e o varejo estejam respondendo aos aumentos, as margens estão sendo comprimidas. “Os preços estão proibitivos”, afirmou. Contudo, Alcides Torres, fundador da Scot Consultoria, não observou retração no consumo.

Os especialistas preveem novas altas nos preços do boi e, consequentemente, nos da carne. No curto prazo, espera-se um aumento sazonal no consumo devido ao pagamento do 13º salário e a criação de empregos temporários. “Novos picos devem ser alcançados”, disse Iglesias.

Além disso, a demanda dos Estados Unidos por carne bovina, que enfrenta escassez de gado, deve continuar a manter os preços firmes no Brasil. Em agosto, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a isenção de tarifas para a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, o que beneficia o Brasil e outros fornecedores. “A necessidade de importação dos Estados Unidos é muito grande e eles continuarão comprando em grandes quantidades”, concluiu Iglesias.

Ao longo de 2024, a expectativa é que a cotação do boi permaneça alta, com a contínua redução do número de fêmeas enviadas para abate, conforme analisado por Torres.

Compartilhe esta notícia
Enviar no WhatsApp
Siga o AC24 Agro
VC Repórter
Flagrou algo no campo? Mande sua pauta ou denúncia pra gente.
(68) 99950-7016

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *