O Acre poderá se beneficiar da ampliação da troca de conhecimentos e da formação técnica voltadas à produção de café robusta e conilon no Brasil. A criação da Rede Nacional de Multiplicadores em Café Canéfora, anunciada após um curso realizado entre 20 e 22 de outubro, busca aproximar pesquisadores, técnicos, produtores e instituições para disseminar tecnologias e desenvolver soluções adaptadas às diferentes regiões produtoras.
A iniciativa reuniu cerca de 150 pessoas de 23 estados e do Distrito Federal, abrangendo quatro regiões brasileiras e territórios de cinco biomas. O treinamento ocorreu em Brasília e Planaltina, no Distrito Federal, e marcou o início da Jornada Nacional de Formação em Café Canéfora, vinculada ao Programa Nacional de Inovação e Integração da Cafeicultura Brasileira.
O curso foi realizado pela Embrapa Café, em parceria com o Consórcio Pesquisa Café e a Embrapa Cerrados. A formação da rede busca ampliar o alcance dos conhecimentos produzidos pela pesquisa e incentivar a troca de experiências entre profissionais que atuam na assistência técnica, no ensino, na pesquisa e no desenvolvimento rural.
Para o Acre, que vem ampliando sua produção cafeeira, a articulação nacional representa uma oportunidade de acesso a conhecimentos sobre genética, manejo das lavouras, sustentabilidade, colheita, pós-colheita e qualidade da bebida. A proposta também prevê que os profissionais compartilhem as informações com produtores e levem às instituições de pesquisa as demandas identificadas no campo.
Segundo a chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café, Renata Silva, a rede pretende manter a conexão entre profissionais de diferentes estados e estimular um fluxo contínuo de informações entre a pesquisa e as realidades locais.
Formação busca ampliar produtividade e qualidade
O curso foi conduzido por 11 especialistas em cafeicultura canéfora e contou com a participação de 21 pesquisadores e analistas de 12 unidades da Embrapa, além de profissionais da assistência técnica e extensão rural, instituições de ensino e organizações ligadas ao desenvolvimento agrícola.
A programação abordou temas como genética, implantação e manejo das lavouras, agregação de valor, mercado, sustentabilidade, colheita, pós-colheita e qualidade sensorial. As atividades foram encerradas com práticas de campo na Embrapa Cerrados, em Planaltina, onde os participantes conheceram características das plantas e diferentes perfis de cafés canéfora.
A expectativa é que os conhecimentos adquiridos contribuam tanto para aprimorar os sistemas produtivos nas regiões tradicionalmente produtoras quanto para avaliar a viabilidade da cultura em áreas onde ela ainda é pouco explorada.
Rede conecta pesquisa e produtores
A proposta também prevê a identificação de novas demandas para orientar futuros projetos científicos. A ideia é aproveitar a experiência dos profissionais que acompanham as propriedades rurais e as informações dos próprios agricultores para desenvolver soluções compatíveis com as condições de clima, solo e manejo de cada território.
A Jornada Nacional de Formação em Café Canéfora terá novas etapas, com atividades definidas a partir das experiências e necessidades identificadas no primeiro encontro.
A iniciativa envolve a Embrapa Café, o Consórcio Pesquisa Café, a Embrapa Cerrados e instituições parceiras, entre elas a Embrapa Rondônia, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Instituto Mió e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
