O fortalecimento da produção de cacau no Acre, aliado à prevenção de doenças e à agregação de valor às amêndoas, é o foco de duas capacitações realizadas no Ramal da Linha 12, em Cruzeiro do Sul, de 19 a 23 de outubro de 2026. A iniciativa reúne o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) e produtores rurais em atividades voltadas ao manejo fitossanitário, ao beneficiamento do cacau e à produção de chocolates artesanais e outros derivados.
A ação conta com a parceria da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa); do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar); do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam); da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri); da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac); da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater); e da Associação de Produtores de Cacau do Ramal da Linha 12.

Os cursos Poda e Beneficiamento Primário de Cacau com Ênfase na Monilíase e Processamento de Derivados do Cacau, Frutas Regionais e Chocolates Artesanais foram planejados para ampliar os conhecimentos de produtores rurais e técnicos, contribuindo para a adoção de boas práticas no campo e o desenvolvimento da cadeia produtiva.
Para a chefe do Departamento de Ações Táticas Vegetal e Florestal do Idaf, Waldirene Gomes, as capacitações contribuem para fortalecer a cadeia produtiva do cacau no Acre.
“Essa ação é importante porque a adoção de técnicas adequadas de manejo contribui para manter a sanidade dos plantios, reduzir os riscos de disseminação de doenças e favorecer a produtividade. Associada à melhoria do beneficiamento, essa estratégia pode ampliar as oportunidades de mercado para o cacau produzido no Acre”, explica.

A primeira etapa começou com orientações teóricas e práticas sobre a monilíase do cacaueiro, doença que representa um desafio para a produção. O treinamento aborda a identificação de sintomas, as formas de disseminação e o manejo integrado da doença, além de técnicas de poda, tratamento de frutos e casqueiros e controle fitossanitário.
Os participantes também recebem orientações sobre o beneficiamento primário, incluindo fermentação, secagem, armazenamento e classificação das amêndoas. Essas etapas são fundamentais para preservar a qualidade do cacau e favorecer sua comercialização.
A proposta é ampliar o alcance dos conhecimentos para além dos produtores inicialmente atendidos. A capacitação de técnicos das instituições parceiras permitirá multiplicar as orientações e alcançar outras comunidades rurais, incluindo produtores interessados no cultivo de cacau e cupuaçu.
Agregação de valor à produção
A segunda capacitação é direcionada ao processamento do cacau e de frutas regionais, além da fabricação de chocolates artesanais. O conteúdo inclui higiene e segurança dos alimentos, beneficiamento do cacau, extração de mel e polpa, produção de geleias, licores, balas e xaropes, além de orientações sobre acondicionamento, conservação, rotulagem e comercialização.
O objetivo é incentivar o aproveitamento integral da produção, ampliar as possibilidades de geração de renda e estimular a elaboração de produtos com maior valor agregado e identidade regional, valorizando as comunidades produtoras.
“A união entre instituições de pesquisa, defesa agropecuária, assistência técnica, formação profissional e organizações de produtores busca fortalecer o cultivo sustentável do cacau, ampliar o acesso ao conhecimento e criar novas oportunidades para a agricultura familiar e a economia regional”, ressalta Waldirene.
(Texto de Fabiana Matos)
