O cenário nacional de fretes agrícolas e os desafios para o escoamento da produção colocam a logística entre os principais pontos de atenção para o agronegócio brasileiro. No Acre, o Sindicato das Empresas de Logística e Transportes de Cargas e Transportadores Autônomos do Estado apresentou uma proposta de plano de governo com sete projetos prioritários para modernizar o setor, reduzir gargalos e ampliar as oportunidades de integração comercial do estado.
A proposta foi apresentada em um momento de pressão sobre os custos e de mudanças nos principais corredores de transporte de grãos do país. Segundo o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quarta-feira (30), os fretes agrícolas apresentaram comportamentos diferentes entre as regiões brasileiras em agosto, mas, na comparação com o mesmo período de 2025, mantiveram tendência de alta.
A demanda pela soja no mercado externo ajudou a movimentar a logística nacional. Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações brasileiras da oleaginosa chegaram a 92,7 milhões de toneladas, crescimento de 7% em relação aos oito primeiros meses do ano passado. No mesmo período, os embarques de milho somaram 14,5 milhões de toneladas, queda de 7,9% na comparação anual.
Para o setor de transporte do Acre, o cenário reforça a necessidade de investimentos em estrutura, qualificação profissional, gestão e planejamento logístico.
Sete projetos prioritários
Entre as propostas apresentadas pelo sindicato está o Programa Logística Competitiva, voltado à modernização das empresas que atuam no transporte e na logística. A ideia é fortalecer a estrutura empresarial do setor e melhorar as condições para atuação em um mercado cada vez mais dependente de eficiência e redução de custos.
Outra frente é o Programa Motorista do Futuro, que prevê ações de capacitação e qualificação profissional. A proposta busca preparar trabalhadores para as novas demandas do transporte de cargas e contribuir para a formação de mão de obra especializada.
O plano também prevê a criação do Polo Logístico do Acre, concebido como um centro integrado de distribuição. A estrutura teria como objetivo concentrar e organizar operações de armazenagem, distribuição e movimentação de cargas, contribuindo para uma maior integração entre os diferentes modais e corredores de transporte.
Já o Programa Frota Sustentável propõe a renovação dos veículos utilizados no transporte de cargas. A medida está relacionada à necessidade de modernizar a frota e buscar maior eficiência nas operações.
O documento inclui ainda o Observatório da Logística, que teria como função produzir indicadores permanentes sobre o setor. A proposta permitiria acompanhar dados relacionados à movimentação de cargas, custos e desempenho da logística no estado.
Complementando essa estrutura, o Centro de Inteligência Logística seria voltado ao monitoramento de custos, rotas e oportunidades. A proposta é utilizar informações estratégicas para auxiliar empresas e gestores na identificação de alternativas para o transporte de cargas.
Conexão com o mercado internacional
Entre os projetos está também a Integração Internacional, com foco no aproveitamento das oportunidades relacionadas ao Porto de Chancay, no Peru.
A conexão com o terminal peruano é tratada pelo setor como uma possibilidade de ampliar as alternativas de acesso do Acre aos mercados internacionais, especialmente diante da posição geográfica do estado e de sua ligação com países sul-americanos.
A proposta busca inserir o Acre em uma estratégia logística que considere não apenas os corredores tradicionais de transporte, mas também novas rotas de comércio e possibilidades de integração com o mercado asiático por meio do Pacífico.
Arco Norte concentra quase metade do milho exportado
Os dados mais recentes da Conab mostram a importância que os corredores do Norte já possuem no comércio agrícola brasileiro. Entre janeiro e agosto de 2026, os portos do Arco Norte responderam por 48,98% das exportações brasileiras de milho, enquanto o Porto de Santos concentrou 27,08% dos embarques.
Na soja, o Arco Norte foi responsável por 38,85% das exportações, contra 34,42% realizadas pelo Porto de Santos. Santos também concentrou 44,02% dos embarques brasileiros de farelo de soja.
O avanço dos corredores do Norte aumenta a relevância de estados que podem atuar como pontos de passagem e integração logística entre áreas produtoras e mercados consumidores, cenário que também coloca o Acre diante do desafio de melhorar sua infraestrutura e ampliar sua participação nas rotas comerciais.
Além dos grãos, a movimentação de outros produtos também influencia os preços dos fretes. Em Minas Gerais, por exemplo, o avanço da colheita do café provocou aquecimento logístico em agosto, com valorização de até 36,2% nos fretes em algumas rotas. Na Bahia, os valores subiram em quase todos os corredores monitorados, enquanto Goiás registrou alta de até 22,9% em determinadas operações.
No Acre, a proposta apresentada pelo sindicato coloca a logística como uma área estratégica para a competitividade do estado. Os sete projetos ainda representam uma agenda de propostas do setor e apontam medidas relacionadas à modernização empresarial, formação profissional, infraestrutura, renovação da frota, produção de dados e integração internacional.