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Saída de gado preocupa frigoríficos e acende alerta na Amazonas e no Acre

Representante do setor afirma que aumento da comercialização de bovinos para fora da região dificulta o fechamento das escalas de abate e pede atenção dos governos do Acre e do Amazonas

Por Redação ·

A saída de bovinos vivos para outras regiões está provocando preocupação entre representantes da indústria frigorífica e colocando em discussão os impactos que a redução da oferta de animais pode causar na economia de municípios que dependem da pecuária. Em Boca do Acre, no Amazonas, o representante do setor frigorífico Geraldo Furtado afirmou que a situação tem se agravado e cobrou atenção dos governos do Amazonas e do Acre.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Geraldo relatou dificuldades para completar as escalas de abate da unidade onde presta serviço. Segundo ele, o frigorífico trabalha normalmente com uma média de 450 bois abatidos por dia, mas a disponibilidade de animais teria diminuído a ponto de dificultar o fechamento dos abates.

“Hoje acho que o Brasil inteiro está passando uma dificuldade com a questão do gado, a vaca gorda, para abate, e Boca do Acre não é diferente”, afirmou.

Na avaliação de Geraldo, o aumento da saída de bovinos vivos estaria reduzindo a quantidade de animais disponíveis para abastecer a indústria local. Ele demonstrou preocupação com os efeitos que esse movimento pode provocar sobre os frigoríficos e sobre toda a cadeia econômica ligada à atividade.

“Boca do Acre está praticamente entrando em um colapso. Eu presto serviço para um frigorífico, onde em média tem abate de 450 bois e nós não estamos conseguindo fechar os abates. Está complicada a situação”, declarou.

Saída de gado do Acre também cresce

A preocupação ocorre em um momento de aumento na movimentação de bovinos vivos no Acre. Dados divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC) mostram que 191.712 cabeças deixaram o estado no acumulado de 2026, número 10,2% superior às 173.992 registradas no mesmo período do ano passado.

Apesar do crescimento da saída, os dados também mostram aumento no número de animais recebidos pelos frigoríficos acreanos. Entre janeiro e julho, foram 338.109 bovinos destinados ao abate, contra 319.960 no mesmo período de 2025, crescimento de 5,7%.

Os números mostram, portanto, que o cenário ainda envolve crescimento tanto do fluxo de animais para fora do estado quanto da atividade de abate. O alerta do setor está relacionado principalmente à disponibilidade de animais para manter as unidades frigoríficas operando em sua capacidade.

“Está ficando difícil”, afirma representante

Geraldo defendeu uma discussão envolvendo os governos dos dois estados para avaliar os efeitos da saída de animais e buscar alternativas para evitar que os frigoríficos enfrentem uma redução ainda maior na oferta de matéria-prima.

“Vou falar para vocês: se os governos do Amazonas e do Acre não tomarem uma certa precaução de tentar barrar essa saída do gado, que são estados que vivem do gado, está ficando difícil”, afirmou.

A declaração coloca em debate um dos principais desafios da cadeia da carne: de um lado, o produtor tem liberdade para comercializar seus animais para o mercado que oferecer melhores condições; de outro, a indústria local depende da oferta de bovinos para manter empregos, abates e a movimentação econômica nos municípios.

Levantamento publicado nesta semana aponta que mais de 370 mil bovinos deixam o Acre por ano, movimento que vem provocando uma disputa por animais entre compradores de diferentes mercados e levantando discussões sobre o preço pago ao produtor, a arrecadação e a geração de riqueza dentro do próprio estado.

Debate envolve produtor, indústria e poder público

A discussão não significa necessariamente que a saída de animais seja prejudicial ao produtor. A comercialização para outros mercados pode representar uma oportunidade quando oferece melhor remuneração ou condições de negócio mais vantajosas.

O ponto levantado pelos frigoríficos é o impacto da redução da oferta sobre a indústria instalada na região. Com menor disponibilidade de animais, as unidades podem ter dificuldade para manter as escalas de abate, afetando trabalhadores, transportadores, fornecedores e outros segmentos que dependem diretamente da cadeia da carne.

No caso de Boca do Acre, o alerta de Geraldo Furtado é para que o problema seja discutido antes que uma eventual redução das atividades frigoríficas provoque efeitos maiores sobre a economia local.

A proposta defendida pelo representante é que Acre e Amazonas discutam o cenário junto aos produtores e à indústria, buscando alternativas que permitam conciliar a liberdade de comercialização dos pecuaristas com a manutenção de uma cadeia frigorífica capaz de gerar emprego, renda e agregação de valor na própria região.

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