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Agro emprega 27,79 milhões, mas mercado de trabalho recua no início de 2026

Setor respondeu por 25,73% da população ocupada do país; apesar da redução no número de trabalhadores, renda média e massa de rendimentos avançaram na comparação anual

Por Redação ·

O agronegócio brasileiro empregou 27,79 milhões de pessoas no primeiro trimestre de 2026, segundo o Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O número representa 25,73% de toda a população ocupada do país, mas ficou abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando a participação do setor era de 26,33%.

Na comparação com o quarto trimestre de 2025, a população ocupada no agronegócio recuou 2,1%, o equivalente a 600,7 mil trabalhadores a menos. O resultado acompanhou a retração do mercado de trabalho brasileiro no período, mas foi mais intensa no agronegócio. Entre os segmentos, a maior queda ocorreu nos agrosserviços, que perderam 4,5% da mão de obra, ou 481,7 mil trabalhadores. Também houve redução de 1,2% nas agroindústrias e de 0,9% no segmento primário. Na direção contrária, o setor de insumos apresentou crescimento de 2,1%, com a entrada de 6,6 mil trabalhadores.

Quando a comparação é feita com o primeiro trimestre de 2025, eliminando os efeitos sazonais, a população ocupada no agronegócio caiu 1%, o equivalente a 267,3 mil pessoas. A retração foi puxada principalmente pelos agrosserviços, com redução de 2,9%, e pelas agroindústrias, que registraram queda de 3,1%. O segmento de insumos também recuou 1,2%. Em sentido contrário, a agropecuária teve crescimento de 2,5%, com 189,9 mil trabalhadores a mais.

Dentro da produção primária, a agricultura registrou aumento de 1,8% na ocupação, enquanto a pecuária avançou 3,7%. Entre as atividades que mais cresceram estão o cultivo de café, cuja ocupação aumentou 26,9%, a horticultura, com alta de 5,6%, e a cana-de-açúcar, que avançou 13,9%. Na pecuária, os destaques foram a criação de aves, com crescimento de 26,4%, outras atividades pecuárias, com 30,6%, a suinocultura, com 18,7%, e a aquicultura, que registrou alta de 40,8% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

Apesar da redução no número total de trabalhadores, os rendimentos apresentaram desempenho positivo. O rendimento médio dos empregados do agronegócio chegou a R$ 2.886 no primeiro trimestre de 2026, com alta real de 4,8% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço considera a inflação medida pelo IPCA. Entre os empregadores, o rendimento médio alcançou R$ 8.961, crescimento real de 9,7% em um ano.

A massa de rendimentos também cresceu na comparação anual. Somando empregados e outros trabalhadores assalariados, o valor chegou a R$ 43,16 bilhões, alta de 1,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Entre os empregadores, a massa de rendimentos alcançou R$ 9,05 bilhões, aumento de 7,5%. Já os trabalhadores por conta própria movimentaram R$ 16,70 bilhões, avanço de 3,5% na comparação anual.

Considerando todas as categorias, a massa de rendimentos do agronegócio atingiu R$ 68,90 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento real de 2,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, entretanto, houve queda de 2,5%. Os números mostram que, mesmo com a redução do contingente de trabalhadores, a valorização dos rendimentos ajudou a sustentar a geração de renda no setor.

O perfil da mão de obra também apresentou mudanças. Na comparação anual, o número de trabalhadores com ensino superior cresceu 1,6%, o equivalente a aproximadamente 72,9 mil pessoas. Enquanto isso, houve redução entre aqueles sem instrução, com ensino fundamental e ensino médio. O resultado mantém a tendência de aumento da escolaridade média dos trabalhadores ligados às cadeias do agronegócio.

Entre as categorias de ocupação, o número de empregados com carteira assinada caiu 1,2% na comparação com o primeiro trimestre de 2025, enquanto os empregados sem carteira tiveram redução de 3,6%. Os empregadores recuaram 5,2% e os trabalhadores familiares auxiliares diminuíram 5%. Em contrapartida, o trabalho por conta própria cresceu 1,8%, com acréscimo de aproximadamente 120,2 mil pessoas.

O levantamento também mostra diferenças na evolução da ocupação por gênero. O número de homens trabalhando no agronegócio caiu 1,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025, enquanto a ocupação feminina recuou 0,5%. Com a queda menos intensa entre as mulheres, a participação feminina na força de trabalho do setor voltou a crescer.

Segundo o Cepea e a CNA, os resultados refletem mudanças estruturais pelas quais passa o agronegócio brasileiro. O avanço da mecanização, da automação e das tecnologias tem contribuído para elevar a produtividade e reduzir gradualmente a necessidade de mão de obra em determinadas atividades primárias. Ao mesmo tempo, trabalhadores são absorvidos por segmentos como agroindústria, transporte, armazenamento, comercialização e outros serviços vinculados às cadeias produtivas.

O boletim é elaborado principalmente a partir dos microdados trimestrais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), combinados com outras bases e metodologias próprias do Cepea. A definição utilizada pelo estudo inclui também pessoas que produzem exclusivamente para o próprio consumo, uma metodologia diferente da adotada pelo IBGE em suas divulgações trimestrais.

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