A Central de Abastecimento do Acre (Ceasa Rio Branco) encerrou 2025 entre os destaques nacionais no comércio atacadista de hortigranjeiros. Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que o entreposto acreano registrou crescimento expressivo tanto na movimentação total de produtos quanto na comercialização de frutas e hortaliças, em um cenário nacional marcado por estabilidade no volume negociado e redução no valor financeiro das vendas.
Segundo o levantamento da Conab, a Ceasa de Rio Branco comercializou 14,04 milhões de quilos de hortigranjeiros ao longo de 2025, um aumento de 31,35% em relação ao ano anterior. O valor movimentado chegou a R$ 63,03 milhões, alta de 36,17% na comparação com 2024.
O desempenho colocou o Acre na 47ª posição entre os 54 entrepostos atacadistas analisados no país. Apesar da participação representar apenas 0,08% do volume nacional, o crescimento percentual ficou entre os mais elevados do Brasil.
No cenário nacional, as Ceasas movimentaram 16,65 milhões de toneladas de hortigranjeiros, praticamente o mesmo volume registrado em 2024, com pequena retração de 0,82%. Já o faturamento caiu 9,29%, encerrando o ano em R$ 68,68 bilhões.
De acordo com a Conab, essa redução no valor comercializado não ocorreu por queda na demanda, mas principalmente pela diminuição dos preços médios dos alimentos. Em 2024, eventos climáticos extremos elevaram os preços de diversos produtos. Em 2025, com maior oferta de itens como batata, cebola, tomate e laranja, os preços recuaram, reduzindo o faturamento das centrais de abastecimento mesmo com o volume praticamente estável.
Hortaliças têm maior crescimento do país
Entre os destaques do levantamento está a comercialização de hortaliças na Ceasa de Rio Branco.
O volume passou de 3,35 milhões para 4,86 milhões de quilos, crescimento de 44,9%, o maior percentual entre as 26 Ceasas analisadas pela Conab que disponibilizam informações detalhadas por segmento.
Enquanto o Acre avançou quase 45%, o mercado nacional apresentou comportamento oposto. Nas principais centrais do país, a comercialização de hortaliças caiu 2,8% em relação a 2024.
Segundo a Conab, a retração nacional foi provocada principalmente pelas condições climáticas adversas, que reduziram a oferta de produtos como tomate, repolho, alface, chuchu, pepino, pimentão e outras hortaliças.
Comercialização de frutas também cresce
As frutas também apresentaram desempenho positivo no Acre.
Em 2025, a Ceasa de Rio Branco comercializou 9,02 milhões de quilos de frutas brasileiras, frente aos 7,27 milhões registrados no ano anterior, crescimento de 24,11%.
O avanço contrasta com o desempenho nacional. Nas 26 Ceasas avaliadas pela Conab, a comercialização de frutas brasileiras caiu 1,52%, totalizando 4,99 milhões de toneladas.
Segundo o estudo, fatores como eventos climáticos, redução da oferta em algumas culturas e aumento das exportações de frutas como manga, melão e banana contribuíram para limitar a disponibilidade de produtos no mercado interno.
Mercado segue pressionado pelos preços
Apesar do crescimento observado no Acre, a Conab avalia que o mercado brasileiro de hortigranjeiros passou por um processo de ajuste em 2025.
A maior oferta de diversos produtos reduziu as cotações ao longo do ano. Como frutas e hortaliças possuem alta perecibilidade, produtores e atacadistas precisaram diminuir os preços para garantir o escoamento da produção, reduzindo o valor financeiro movimentado pelas Ceasas.
O levantamento também destaca que a recuperação da produção de laranja, a maior oferta de batata e cenoura e a melhora da produtividade em diversas regiões ajudaram a ampliar a disponibilidade de alimentos no mercado, enquanto produtos como mamão, banana, tomate e algumas hortaliças sofreram impactos das condições climáticas em importantes polos produtores.
No comércio internacional, o Brasil registrou recorde nas exportações de frutas em 2025, com 1,31 milhão de toneladas embarcadas e faturamento de US$ 1,56 bilhão, crescimento de 19,7% em volume e de 29% em receita na comparação com 2024. Os principais produtos exportados foram manga, melão, melancia, limão, uva, banana e mamão.
