O Acre reduziu em 27% a área desmatada no período conhecido como “calendário do desmatamento”, que acompanha o avanço da derrubada da floresta conforme o regime de chuvas da Amazônia. Entre agosto de 2025 e junho de 2026, o estado registrou 230 quilômetros quadrados de desmatamento, ante 316 km² no mesmo intervalo do ciclo anterior. Apesar do resultado positivo, os dados mais recentes mostram um aumento dos alertas em junho e colocam Feijó entre os municípios com maior pressão sobre a floresta na Amazônia.
De acordo com levantamento do Imazon, instituto que monitora a Amazônia por imagens de satélite desde 2008, a redução observada no Acre acompanha a tendência registrada em toda a Amazônia Legal. No período de agosto de 2025 a junho de 2026, a região somou 2.258 km² de área desmatada, o menor volume da série histórica do instituto e 28% inferior ao registrado no ciclo anterior.
Mesmo com a queda, o Imazon destaca que estados com grandes áreas de floresta, como o Acre, precisam manter e ampliar as ações de fiscalização e combate aos crimes ambientais para consolidar essa tendência de redução.
Junho registra avanço do desmatamento no Acre
Quando a análise considera apenas o mês de junho de 2026, o cenário é diferente. O Acre respondeu por 9% de todo o desmatamento detectado na Amazônia Legal no período, ficando atrás apenas de Pará, Mato Grosso e Amazonas.
Na comparação com junho de 2025, a área desmatada no estado passou de 21 km² para 27 km², crescimento de 29%, indicando aumento da pressão sobre a floresta durante o início do período mais seco na região.
Entre os municípios, Feijó aparece como um dos principais pontos de atenção. O município ocupa a sexta posição entre os dez que registraram o maior número de alertas de desmatamento em toda a Amazônia Legal durante o período monitorado pelo instituto.
Degradação florestal também preocupa
Além da derrubada da floresta, o Acre também aparece nos dados relacionados à degradação florestal, processo provocado principalmente pela exploração madeireira e pelas queimadas. Em junho de 2026, o estado respondeu por 1% da degradação registrada em toda a Amazônia.
O levantamento mostra ainda que duas áreas protegidas acreanas figuram entre as unidades de conservação mais afetadas pelo desmatamento no primeiro semestre deste ano: a Reserva Extrativista Chico Mendes, considerada um dos principais símbolos da conservação ambiental no estado, e a Floresta Estadual do Complexo do Seringal Jurupari.
Os dados reforçam que, apesar da redução acumulada no ciclo anual de monitoramento, o avanço do desmatamento observado em junho e a pressão sobre municípios e unidades de conservação indicam a necessidade de intensificar as ações de monitoramento e fiscalização durante o período de estiagem, quando historicamente ocorre o maior avanço da derrubada da floresta na Amazônia.
