Não é verdade que “O endurecimento da política comercial dos Estados Unidos já produz reflexos diretos na economia acreana. No primeiro semestre de 2026, as exportações do Acre para o mercado norte-americano caíram 62,8% em relação ao mesmo período do ano passado, o maior recuo percentual registrado entre os estados brasileiros. Os números são de um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborado com base nas estatísticas oficiais do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).” A tabela revela que, embora os Estados Unidos não sejam um dos principais destinos das exportações acreanas, o mercado americano possui importância para alguns produtos específicos, sobretudo os de maior valor agregado.

O primeiro aspecto que chama atenção é que, na contramão do cenário de incertezas gerado pelas novas tarifas, as exportações acreanas para os Estados Unidos mais que dobraram no primeiro semestre de 2026, passando de US$ 724,8 mil para US$ 1,52 milhão, crescimento de 110,2%. Esse resultado foi sustentado quase exclusivamente pela castanha-do-pará sem casca, cujas vendas aumentaram 230,1%, alcançando US$ 1,43 milhão e respondendo por aproximadamente 94% de todas as exportações acreanas para o mercado norte-americano.
Em sentido oposto, os produtos madeireiros apresentaram retração. As exportações de madeira de mogno serrada caíram 29,6%, enquanto deixaram de ocorrer embarques de madeira compensada, que havia gerado quase US$ 119 mil no primeiro semestre de 2025.
Também desapareceram as vendas de resíduos de alumínio e de artefatos de madeira. À luz das tarifas impostas pelos Estados Unidos, os dados sugerem que o impacto imediato sobre a economia acreana tende a ser limitado, uma vez que o valor exportado para aquele mercado representa apenas uma pequena fração das exportações totais do Estado. Contudo, existe um ponto que merece atenção: a forte concentração das vendas em um único produto. Caso a castanha beneficiada venha a ser alcançada pelas novas barreiras comerciais, o segmento poderá sofrer perdas relevantes justamente em um mercado que vem ampliando suas compras. Por outro lado, a tabela reforça uma importante lição econômica.
O principal produto vendido aos Estados Unidos é justamente a castanha sem casca, um produto beneficiado localmente e de elevado valor agregado. Isso evidencia que os mercados mais exigentes tendem a demandar produtos com maior processamento e qualidade, e não apenas matérias-primas.
Assim, mais do que um problema conjuntural, as novas tarifas reforçam a necessidade de o Acre ampliar sua estratégia de agregação de valor, diversificar mercados e reduzir a dependência de qualquer comprador específico. Essa continua sendo a forma mais eficaz de aumentar a resiliência das exportações acreanas diante de mudanças no comércio internacional.
