A Região Norte deve produzir 22,2 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026, o equivalente a 6,4% da produção nacional, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de junho, divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (14). Embora o volume represente um crescimento de 3,5% em relação à estimativa de maio, a produção ainda é 0,5% inferior à registrada em 2025.
O avanço mensal foi puxado principalmente pelo Pará, que teve aumento de 609,5 mil toneladas na estimativa de produção, e por Rondônia, com acréscimo de 162,2 mil toneladas. Em contrapartida, Tocantins, Amazonas e Amapá registraram reduções nas projeções em comparação ao levantamento anterior.
Entre as culturas de maior importância para a região, o cacau apresentou revisão para baixo. O IBGE estima uma produção nacional de 321 mil toneladas em 2026, alta de 8,9% frente a 2025, mas com recuo de 1,0% em relação a maio. A queda foi influenciada principalmente pelo Pará, responsável por 49,4% da produção brasileira, onde a estimativa diminuiu 2,2% no último levantamento.
Outro destaque foi o gergelim, cultura que passou a ser acompanhada pelo IBGE a partir deste ano devido ao crescimento de sua importância econômica. A produção nacional foi estimada em 364,8 mil toneladas, aumento de 5,7% em relação ao mês anterior. O Pará aparece como o segundo maior produtor do país, com previsão de 120,4 mil toneladas, registrando crescimento de 17,2% na comparação mensal.
No milho da primeira safra, o Pará foi o estado com a maior redução entre as unidades da federação, apresentando queda de 9,1%, o equivalente a 92,8 mil toneladas, em relação à estimativa de maio.
No café canephora (conilon e robusta), predominante na Região Norte, a estimativa nacional caiu 3,6% em relação ao mês anterior, totalizando 1,3 milhão de toneladas, ou 21,6 milhões de sacas de 60 quilos. Apesar do recuo mensal, a produção ainda deve ser 3% superior à de 2025.
Os dados também mostram que a Região Norte foi a única grande região do país a registrar crescimento mensal expressivo na produção, enquanto Centro-Oeste (-2,0%), Sul (-0,2%) e Nordeste (-0,2%) tiveram retração, e o Sudeste permaneceu estável. O desempenho reforça a importância crescente do Norte na produção agrícola nacional, especialmente em culturas como cacau, café canephora, soja e gergelim, mesmo diante de ajustes pontuais nas estimativas de alguns estados.