A manifestação de produtores rurais na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), realizada nesta terça-feira (30), teve como principal objetivo sensibilizar os deputados estaduais para a realização de uma audiência pública que reúna representantes do governo, do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) e da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). A categoria quer que seja apresentado um cronograma oficial das obras de recuperação dos ramais em todo o estado.
Segundo o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais e Pecuaristas da Transacreana, José Augusto, a situação das estradas vicinais tem deixado centenas de famílias isoladas após o período de inverno amazônico.
“Nossa principal meta é sensibilizar esta Casa, que é a Casa do Povo, para que os deputados, tanto da situação quanto da oposição, promovam uma audiência pública juntamente com o governo. Queremos que o Deracre e a Secretaria da Fazenda expliquem como serão feitos os nossos ramais, porque hoje tem muita gente completamente isolada”, afirmou.
O dirigente sindical também criticou a falta de recursos para a execução dos serviços. De acordo com ele, o próprio Deracre teria informado que enfrenta dificuldades financeiras para manter as frentes de trabalho.
“Nós já pressionamos o Deracre e a resposta é que o governo não libera recursos suficientes. As máquinas alugadas estão com pagamentos atrasados e não há dinheiro para recuperar os ramais, construir pontes e instalar bueiros. Enquanto isso, o produtor sonha com algo maior, como ramais asfaltados ou piçarrados, mas hoje sequer consegue ter acesso à propriedade.”
José Augusto também defendeu que a Secretaria de Estado de Agricultura amplie o diálogo com todas as organizações rurais do Acre.
“Queremos conversar com a Secretaria de Agricultura para saber o que existe de política pública para nós. Hoje estamos engessados. Não podemos nem fazer uma pequena queimada para preparar a área de plantio e, sem estrada e sem alternativas, fica difícil produzir.”
Outro ponto levantado pelo presidente do sindicato foi a forma como, segundo ele, o diálogo do governo vem sendo conduzido com o setor produtivo.
“Esse diálogo está acontecendo apenas com algumas pessoas e algumas associações. A Secretaria de Estado não está tratando com todos os produtores, apenas com os parceiros e apoiadores deles. Nós queremos uma política de Estado para a agricultura e para os ramais, que atenda todos os produtores, independentemente de posição política.”
José Augusto também cobrou a retomada das obras na AC-90 (Estrada Transacreana). Segundo ele, existem recursos destinados para a recuperação da rodovia, mas os serviços estariam paralisados.
“O tapa-buracos da AC-90 está parado. Há dinheiro disponível. Foram destinados R$ 8,8 milhões e mais R$ 32 milhões pelo senador Márcio Bittar. A recuperação até o quilômetro 85 ficou sob responsabilidade do governo do Estado, mas hoje está tudo parado. Tem famílias que sequer conseguem chegar em casa por causa das condições da estrada”, concluiu.
