Norte concentra bônus do Programa de Garantia de Preço

Portaria do MDA aponta descontos para agricultores familiares entre abril e maio; Tocantins e Rondônia estão entre os estados contemplados

Redação
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Agricultores familiares da região Norte terão acesso a bônus de desconto em operações de crédito rural do Pronaf para diversos produtos, conforme a Portaria nº 358/2026 do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Os percentuais, válidos entre 10 de abril e 9 de maio, refletem a queda nos preços de mercado registrada em março e incluem itens estratégicos como cacau, mandioca e feijão-caupi.

A nova atualização do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) traz impacto direto para produtores do Norte do país, especialmente em estados como Tocantins, Rondônia, Pará e Amazonas. O mecanismo garante descontos no pagamento ou liquidação de financiamentos do Pronaf quando o valor de mercado fica abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo federal.

No Tocantins, por exemplo, o arroz longo fino em casca terá bônus de 9,69%, enquanto o feijão-caupi — cultura importante para a agricultura familiar local — alcança 48,70% de desconto, um dos maiores percentuais da lista. O sorgo também aparece com bônus, ainda que mais modesto, de 1,37%.

Já em Rondônia, a raiz de mandioca, base da produção regional, conta com bônus de 21,33%, refletindo a desvalorização do produto no mercado. O estado também aparece na cesta de produtos com percentual médio de 5,33%.

O cacau cultivado, outro destaque da região Norte, apresenta bônus expressivos: 25,65% no Pará e 26,05% em Rondônia, sinalizando um cenário de preços abaixo do esperado para os produtores. No Amazonas, a juta embonecada tem bônus de 6,98%.

Além disso, o levantamento mostra que frutas como laranja, no Pará, têm bônus de quase 50%, evidenciando dificuldades de comercialização em alguns mercados locais. Esses índices são calculados com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), considerando os preços médios registrados em março.

Na prática, o PGPAF funciona como uma espécie de “seguro de preço” para o agricultor familiar. Quando o mercado paga menos que o mínimo garantido, o produtor recebe um abatimento proporcional na dívida do financiamento rural, ajudando a manter a renda e a capacidade de investimento.

A portaria também revoga a norma anterior de março e passa a valer a partir do dia 10 de abril, orientando bancos e agentes financeiros sobre a aplicação dos descontos nas parcelas que vencem no período.

Para a região Norte, onde a produção é fortemente baseada na agricultura familiar e em cadeias como mandioca, cacau e grãos, os bônus representam um alívio importante diante das oscilações de mercado e dos desafios logísticos que impactam os preços recebidos pelos produtores.

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