O Projeto Artesanato Florestal, desenvolvido no Acre com recursos do Programa REM Acre – Fase II, tem apresentado avanços na geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento da economia florestal. Dados da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete) apontam crescimento no número de artesãos beneficiados, aumento no volume de vendas em feiras nacionais e expansão territorial da iniciativa.
Com investimento planejado de aproximadamente R$ 1,19 milhão, mais de 90% dos recursos já foram executados, possibilitando ações de capacitação, apoio à produção, certificação e inserção de artesãos em mercados regionais e nacionais. O projeto alcança os 22 municípios acreanos e incentiva o uso sustentável de matérias-primas florestais, como sementes, madeira, fibras vegetais e látex.
Os dados mostram que a comercialização de produtos do artesanato florestal tem apresentado resultados expressivos ao longo dos últimos anos. Em 2019, primeiro ano de participação mais ampla em feiras nacionais, os artesãos arrecadaram cerca de R$ 1,34 milhão. O desempenho teve destaque no Salão do Artesanato de São Paulo, com aproximadamente R$ 447 mil em vendas, na Fenearte, em Pernambuco, com R$ 389 mil, e no Salão do Artesanato de Brasília, com R$ 347 mil.
Mesmo com as restrições impostas pela pandemia, em 2020 foram registrados cerca de R$ 240 mil em vendas na Feira Nacional de Artesanato, realizada em Minas Gerais. A recuperação começou em 2021, quando o faturamento chegou a aproximadamente R$ 694 mil, impulsionado principalmente pela Fenearte e pela Feira Nacional de Artesanato.
O crescimento continuou em 2022, quando a arrecadação alcançou cerca de R$ 873 mil. Em 2023, o volume de vendas chegou a aproximadamente R$ 951 mil, com forte participação na Fenacce, no Ceará. Em 2024, o faturamento se manteve elevado, somando cerca de R$ 907 mil. Já em 2025, dados parciais apontam mais de R$ 616 mil em vendas nas principais feiras nacionais realizadas até o momento.
Outro indicador importante do projeto é a ampliação do número de participantes. Em 2019, eram 46 artesãos envolvidos, enquanto em 2025 o número chegou a 375 beneficiários, evidenciando uma expansão significativa da política pública voltada ao artesanato de base florestal. Os dados também mostram predominância feminina entre os participantes, reforçando o papel do artesanato como alternativa de geração de renda e autonomia econômica para mulheres em comunidades amazônicas.
O levantamento também mostra concentração de produtores em alguns municípios do estado. Cruzeiro do Sul lidera com 147 artesãos, seguido por Mâncio Lima, com 101 produtores, e Rio Branco, com 100 participantes. Xapuri registra 28 artesãos, Acrelândia conta com cinco produtores e Senador Guiomard possui quatro participantes.
Segundo a análise do projeto, os três primeiros municípios concentram a maior parte dos beneficiários, indicando que as ações estão mais estruturadas em regiões com tradição no extrativismo e no artesanato florestal. Por outro lado, municípios com menor participação apontam oportunidades de expansão do programa, ampliando a inclusão socioprodutiva e fortalecendo economias locais baseadas no uso sustentável dos recursos da floresta.
Entre os principais produtos comercializados estão biojoias feitas com sementes, peças decorativas e utilitárias em madeira, como gamelas e esculturas, artesanato indígena, itens produzidos com látex natural, além de cestarias e peças têxteis feitas com fibras vegetais. A iniciativa integra políticas de bioeconomia e conservação ambiental ao incentivar o aproveitamento de resíduos do manejo florestal e reduzir a pressão pela abertura de novas áreas, promovendo o uso sustentável da floresta.
