Financiamento privado do agro cresce e movimenta R$ 560 bi em CPR

Boletim do Ministério da Agricultura aponta avanço em LCAs, CRAs e Fiagro, enquanto CDCA recua e emissões de CPR têm leve queda na safra atual

Luiz Eduardo Souza

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou a nova edição do Boletim de Finanças Privadas do Agro, trazendo um retrato atualizado do financiamento do setor em fevereiro — e os números mostram um mercado ainda robusto, apesar de alguns ajustes pontuais.

As Cédulas de Produto Rural (CPR) seguem como protagonistas. O estoque cresceu 16% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a 402 mil cédulas registradas e um volume de R$ 561 bilhões. Por outro lado, na safra atual (julho de 2025 a fevereiro de 2026), foram emitidos R$ 248 bilhões — uma leve queda de 8% frente ao ciclo anterior.

Já as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) também mantêm força, com estoque de R$ 588 bilhões, alta de 9% em um ano. Um dado que chama atenção é o volume que precisa ser reaplicado no crédito rural: R$ 352 bilhões em fevereiro, avanço expressivo de 31% na comparação anual. Isso reforça o papel das LCAs como importante fonte de financiamento para o campo.

O mercado de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) continua em expansão, com crescimento de 15% em 12 meses, atingindo R$ 176 bilhões. Em contrapartida, os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) recuaram 8%, somando R$ 32 bilhões — reflexo de um movimento atípico ocorrido em 2024 e que vem sendo ajustado gradualmente.

Outro destaque são os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro), que retomaram a divulgação de dados e seguem em crescimento. Em janeiro, o patrimônio líquido chegou a R$ 48 bilhões, alta de 10% em um ano. O número de fundos também disparou: são 220 em operação, um salto de 60%.

No geral, o boletim indica que o financiamento privado do agro brasileiro segue em expansão, com diversificação de instrumentos e aumento da participação do mercado de capitais — um movimento cada vez mais importante para sustentar o crescimento do setor.

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